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Bruno Pinheiro

Sem caminhoneiros à mesa, agro e governo avançam em acordo sobre MP

Negociações avançam entre agro e governo enquanto representantes da categoria ficam fora das discussões

Bruno Pinheiro

Caminhões circulam em estradas de São Paulo
Caminhões circulam em estradas de São Paulo Aloisio Mauricio / Fotoarena / Estadão Conteúdo

Senadores da bancada do agronegócio e da base do governo avançam nas negociações para um acordo sobre a medida provisória que trata dos caminhoneiros sem a participação de representantes da categoria, principal afetada pelas mudanças em discussão.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) e a senadora Teresa Leitão (PT-PE) se reuniram para buscar um entendimento sobre o texto. Segundo apuração da Jovem Pan, a negociação inclui a retirada de pontos considerados sensíveis aos caminhoneiros, entre eles a anistia de multas e a previsão de um piso de R$ 5 mil.

Nesta terça-feira (14), uma nova rodada de negociações será realizada com a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de Tereza Cristina e Teresa Leitão. A expectativa é fechar um acordo antes da apresentação do parecer.

A Jovem Pan também apurou que o relator da medida provisória segue em recuperação após um procedimento cirúrgico na garganta, mas abriu mão do período de repouso para retornar a Brasília e participar das negociações finais.

Nos bastidores, representantes do setor de transportes demonstram forte insatisfação com os rumos das tratativas. A avaliação de lideranças ouvidas pela reportagem é que, caso sejam confirmadas a retirada da anistia de multas, do piso de R$ 5 mil e de outros pontos considerados essenciais, a medida provisória ficará esvaziada. Para integrantes do setor, nesse cenário, seria melhor “rasgar” o texto do que aprovar uma versão que não contemple as principais reivindicações dos caminhoneiros.

A ausência da categoria nas negociações é o principal alvo das críticas. Embora a medida provisória trate diretamente dos caminhoneiros, as discussões vêm sendo conduzidas entre representantes do agronegócio e do governo, sem a participação do setor diretamente impactado pelas mudanças.