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Eliseu Caetano

Trump deve anunciar novas regras para baratear carros a combustão nos EUA

Presidente já afirmou ter aprovado novos padrões de economia de combustível; mudança reduz pressão sobre montadoras para ampliar oferta de veículos elétricos

Eliseu Caetano

Trump posse
O Departamento de Transportes deve finalizar as novas regras nesta segunda. Os detalhes definitivos, no entanto, só serão conhecidos com a publicação do texto final. EFE/EPA/Melina Mara / POOL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve formalizar nesta segunda-feira (28) uma das principais mudanças de sua política para o setor automobilístico: a redução das exigências federais de economia de combustível para carros e caminhonetes vendidos no país.

Segundo apuração desta coluna na Casa Branca e no Departamento de Transportes, o anúncio esperado para a tarde desta segunda-feira está relacionado à conclusão das novas regras do chamado CAFE – sigla em inglês para Corporate Average Fuel Economy.

A expectativa é reforçada pelas declarações públicas do próprio governo. No sábado (26), Trump afirmou ter aprovado os novos padrões de economia de combustível e disse que as mudanças resultarão em preços mais baixos para os consumidores. O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou em seguida que uma “grande vitória” para os trabalhadores do setor automobilístico americano seria anunciada em breve.

O Departamento de Transportes deve finalizar as novas regras nesta segunda. Os detalhes definitivos, no entanto, só serão conhecidos com a publicação do texto final.

Mas, afinal, o que é o CAFE?

Criado pelo Congresso americano na década de 1970, após a crise do petróleo, o CAFE estabelece quanto, em média, os veículos novos vendidos por cada fabricante nos Estados Unidos devem percorrer com um galão de combustível.

Não se trata de determinar quanto cada carro individualmente pode consumir. A conta considera a frota da montadora. Isso significa que fabricantes que vendem modelos grandes e menos eficientes precisam compensar esse consumo com veículos mais econômicos.

É justamente aí que entram os carros elétricos. Como os elétricos ajudavam as montadoras a cumprir metas cada vez mais rigorosas de eficiência, as regras adotadas durante o governo de Joe Biden criavam um forte incentivo regulatório para ampliar a participação desses veículos na frota.

As normas anteriores previam que a média da frota de veículos leves chegasse a aproximadamente 50,4 milhas por galão em 2031.

Trump decidiu mudar essa trajetória.

De 50,4 para cerca de 34,5 milhas por galão

A proposta apresentada pela Administração Trump previa reduzir a exigência projetada para 2031 para aproximadamente 34,5 milhas por galão.

Esse número, porém, ainda precisa ser confirmado no texto final que será divulgado nesta segunda-feira.

Se a versão definitiva mantiver a estrutura da proposta, a consequência será uma mudança importante na estratégia das montadoras: elas terão muito menos pressão regulatória para compensar SUVs, caminhonetes e outros veículos a gasolina com carros elétricos e híbridos.

Na prática, empresas como Ford, General Motors e Stellantis ganham mais liberdade para decidir quais modelos produzir e vender no mercado americano.

Carro a gasolina vai ficar mais barato?

Essa é a aposta da Casa Branca.

Na análise econômica da proposta, a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) calculou que a mudança poderia reduzir em aproximadamente US$ 930 o custo inicial médio de um veículo novo, desde que a economia obtida pelas montadoras seja repassada ao consumidor.

O governo também estimou impacto econômico de aproximadamente US$ 109 bilhões em cinco anos.

Trump foi além ao anunciar a decisão no sábado. O presidente afirmou que os novos padrões significarão “preços mais baixos” e disse que famílias poderão economizar milhares de dólares na compra de veículos novos.

A redução de preço, entretanto, não é automática. Os US$ 930 representam uma estimativa de redução de custos associada às regras, e não um desconto obrigatório no preço encontrado nas concessionárias.

E os carros elétricos? Vão ficar mais caros?

Aqui está uma das consequências mais importantes e também uma das que exigem mais cuidado.

A nova regra não determina aumento do preço dos veículos elétricos. O que muda é o incentivo econômico e regulatório dentro das montadoras.

Com metas de eficiência mais rigorosas, vender veículos elétricos ajudava os fabricantes a compensar modelos maiores e menos eficientes. Isso criava um incentivo para aumentar a produção e tornar os elétricos mais competitivos dentro do portfólio.

Com exigências menores, essa pressão diminui.

Portanto, enquanto veículos a combustão podem ficar mais baratos devido à redução dos custos de conformidade, os elétricos perdem parte da vantagem regulatória que ajudava a sustentar sua competitividade.

Isso pode alterar preços, investimentos e estratégias comerciais das montadoras, mas não significa que todo carro elétrico automaticamente ficará mais caro.

A mudança se soma a outras medidas adotadas desde o retorno de Trump à Casa Branca que reduziram os incentivos federais ao mercado de veículos elétricos.

Há outro lado da conta

A própria análise do governo reconhece que reduzir as exigências de eficiência tem consequências no longo prazo.

A NHTSA estimou que a proposta poderia levar os veículos americanos a consumir cerca de 100 bilhões de galões adicionais de combustível até 2050 em comparação com as regras anteriores.

O gasto adicional com gasolina e diesel poderia chegar a aproximadamente US$ 185 bilhões, enquanto as emissões de dióxido de carbono aumentariam cerca de 5% no período.

Ou seja: a economia estimada aparece primeiro na compra do veículo, enquanto parte desse benefício pode ser compensada posteriormente por um consumo maior de combustível.

É justamente esse o debate por trás da decisão que Trump deve formalizar nesta segunda-feira.

De um lado, a Casa Branca argumenta que as regras anteriores aumentavam artificialmente o custo dos veículos e pressionavam as montadoras a produzir carros elétricos que nem todos os consumidores desejavam comprar.

Do outro, críticos da mudança argumentam que padrões menos rigorosos significam carros que consomem mais combustível, maior gasto na bomba ao longo da vida útil do veículo e aumento das emissões.

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