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Patrícia Costa

Menos chuva, mais consumo e recorde de captação em São Paulo

Cantareira opera nesta segunda-feira com apenas 20% da capacidade

Patricia Costa

Futura Press/Folhapress
Crise hídrica em São Paulo BRAGANÇA PAULISTA,SP,29.01.2015:ABASTECIMENTO-SP - Vista da represa Jacareí, em Bragança Paulista (SP), na manhã desta quinta-feira (29). O nível do Sistema Cantareira, que abastece um terço da população da Grande São Paulo (6,5 milhões), se manteve em 5,1% nesta quinta-feira. (Foto: Gabriel Câmara/Futura Press/Folhapress)

São Paulo vive um sinal claro de estresse hídrico. A combinação entre chuvas abaixo da média, aumento contínuo do consumo e recorde de captação de água em 2025 coloca pressão crescente sobre os mananciais que abastecem a maior região metropolitana do país. Ao longo de 2025, o estado registrou o maior volume de captação de água já observado. Na prática, isso significa que mais água foi retirada dos reservatórios para atender à demanda urbana em um momento em que a reposição natural, via chuvas, foi insuficiente. Esse movimento acontece em paralelo a um cenário climático desfavorável. A irregularidade das chuvas e os períodos mais longos de estiagem, associados ao aumento das temperaturas, reduzem a recarga dos reservatórios e ampliam a evaporação. O resultado é um sistema hídrico que opera cada vez mais próximo do limite. Do ponto de vista ambiental, o problema vai além do abastecimento imediato. Mananciais sob pressão afetam ecossistemas aquáticos, comprometem a biodiversidade e reduzem a resiliência das bacias hidrográficas frente a eventos extremos, que tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.A situação também revela uma fragilidade estrutural. O crescimento do consumo — impulsionado por expansão urbana, atividades econômicas e hábitos pouco eficientes de uso da água — não foi acompanhado, na mesma proporção, por políticas robustas de conservação, redução de perdas na rede, reuso e proteção ambiental dos mananciais.

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Especialistas alertam que crises hídricas não se formam de forma repentina. Elas são construídas ao longo do tempo, a partir da combinação entre clima mais extremo, ocupação inadequada do solo, desmatamento de áreas de proteção permanente, degradação de matas ciliares e planejamento urbano pouco adaptado à nova realidade climática. Nesse contexto, tratar a água apenas como um problema de gestão operacional é insuficiente. A segurança hídrica passa a ser, cada vez mais, uma questão ambiental e climática. Envolve recuperar e proteger bacias hidrográficas, investir em soluções baseadas na natureza, ampliar o reuso em escala urbana e industrial e preparar as cidades para cenários de menor disponibilidade de água. O recorde de captação registrado em 2025 funciona, portanto, como um alerta. Sem mudanças estruturais, o risco é transformar episódios de estresse hídrico em uma condição permanente. Em um clima mais quente e mais instável, garantir água exige planejamento ambiental de longo prazo — e decisões que precisam ser tomadas agora.