Presidente da Conafer apresentou laudo de cardiopatia grave após se entregar à PF
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, apresentou à Polícia Federal um laudo médico que aponta cardiopatia estrutural grave e risco elevado de complicações cardiovasculares.
Lopes se apresentou voluntariamente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília na noite de 12 de agosto, quando foi cumprido o mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A reportagem teve acesso ao laudo cardiológico apresentado por Lopes. Assinado pelo cardiologista Sergio Timerman, o documento informa que ele está sob acompanhamento médico desde outubro de 2024, quando sofreu um infarto agudo do miocárdio e precisou passar por uma cirurgia cardíaca de grande porte.
O histórico descrito pelo médico inclui insuficiência cardíaca, miocardiopatia isquêmica, aneurisma e trombo no ventrículo esquerdo. Lopes também passou por revascularização do miocárdio, retirada do aneurisma e do trombo e implantação de marca-passo.
No documento, o cardiologista classifica Lopes como paciente de “risco cardiovascular muito alto” e afirma que situações de estresse físico ou emocional podem provocar descompensação clínica.
O laudo alerta ainda que intercorrências podem evoluir rapidamente e que, em situações agudas, Lopes pode necessitar de avaliação médica imediata, acesso rápido a uma unidade hospitalar e suporte avançado de emergência.
A condição de saúde também foi registrada oficialmente pela PF. Em comunicação enviada ao STF após o cumprimento do mandado, a corporação informou que Lopes havia declarado ser portador de cardiopatia.
Carlos Lopes tinha contra ele uma ordem de prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça. Segundo a Polícia Federal, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) é apontado como personagem importante na investigação sobre o esquema bilionário de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
As investigações apontam desvios de mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. Desse montante, mais de R$ 700 milhõesteriam relação com descontos atribuídos à Conafer. Em julho, Lopes foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto ao lado de outras 47 pessoas.
Nesta quinta-feira (13), Lopes passou por audiência de custódia na 15ª Vara Federal Criminal de Brasília e permaneceu preso. A realização da audiência havia sido determinada após o cumprimento do mandado, com prazo de até 24 horas para a apresentação do investigado à Justiça.
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