Ourofino mira expansão em saúde animal com inovação e avanço no agro
A saúde animal ganhou peso estratégico no Brasil ao conectar duas frentes em expansão: a produção de proteína e o mercado pet. Para Kleber Cesar Silveira Gomes, diretor-presidente da Ourofino Saúde Animal, o setor passa por uma transformação impulsionada por produtividade, sustentabilidade, tecnologia e mudança no comportamento dos consumidores.
A empresa atua tanto em animais de produção quanto em pets e acompanha de perto os efeitos dessas mudanças no campo, nas clínicas veterinárias e na indústria. Segundo o executivo, o setor deixou de ser visto apenas como uma etapa de cuidado e passou a ter impacto direto na eficiência econômica, na segurança alimentar e na qualidade de vida das famílias.
“O setor de saúde animal é vital para a sociedade”, afirma Gomes. Ele diz que a atividade está ligada a duas cadeias centrais: a produção de alimentos, especialmente carnes, ovos e leite e o cuidado com pets, que passaram a ocupar um papel cada vez mais relevante dentro dos lares.
No agro, o avanço depende de três pilares: genética, nutrição e sanidade. A avaliação do CEO é que o Brasil já tem alto nível de produtividade em aves e suínos, mas ainda conta com espaço importante para evoluir na bovinocultura. Nesse cenário, a saúde animal é apontada como uma ferramenta para produzir mais, em menos tempo e com menor uso de recursos.
Para Gomes, o Brasil tem uma posição privilegiada nesse mercado. O país reúne escala, clima, solo, água e mão de obra para seguir crescendo na produção de proteína, enquanto outros mercados já se aproximam de seus limites produtivos. A oportunidade, segundo ele, está em ampliar a adoção de tecnologia, informação e manejo preventivo.
O executivo afirma que muitos produtores cuidam da nutrição, da suplementação e do pasto, mas subestimam os efeitos de parasitas, carrapatos, moscas e vermes sobre o desempenho do rebanho. O problema não afeta, necessariamente, a qualidade da carne, mas reduz a produtividade do animal e impacta a rentabilidade do pecuarista.
“O principal gargalo ainda é a informação”, diz. Para enfrentar esse desafio, a Ourofino mantém equipes de médicos veterinários que visitam fazendas, levam orientação técnica e apoiam produtores na adoção de protocolos de prevenção e manejo. A empresa também realiza trabalho semelhante com veterinários que atendem animais de companhia.
No mercado pet, a mudança vem da humanização dos animais. Cães e gatos vivem mais, são tratados como membros da família e demandam cuidados preventivos, medicamentos de qualidade e acompanhamento profissional. Apesar do avanço, Gomes avalia que o Brasil ainda está abaixo de mercados mais maduros quando o tema é prevenção.
A tecnologia também passou a ocupar espaço maior dentro da companhia. Na Ourofino, a inteligência artificial já é usada em processos internos, automação, produtividade administrativa e pesquisa e desenvolvimento. A empresa adota ferramentas de predição química e bioinformática para avaliar formulações, compatibilidade de componentes, estabilidade e prazo de validade de produtos antes de testes mais longos.
A expectativa é que a IA avance também no relacionamento com o mercado. Gomes vê potencial para o uso de consultores técnicos virtuais e soluções digitais capazes de ampliar o acesso de produtores e veterinários a informações qualificadas. Na pecuária, porém, a adoção ainda depende de maior conectividade nas fazendas e de infraestrutura mais ampla.
“A inovação também aparece no desenvolvimento de produtos. Nos últimos dois anos, a Ourofino lançou cerca de 14 soluções em diferentes linhas, incluindo vacinas para suinocultura, antiparasitários para bovinos e produtos voltados a animais de companhia. Um dos destaques é a Leanvac, vacina imunocastradora suína desenvolvida 100% no Brasil. Segundo Gomes, a tecnologia substitui a castração cirúrgica, reduz intervenções mecânicas nos animais e reforça a agenda de bem-estar animal dentro da produção”.
Com quase 40 anos de história, a Ourofino tem fábrica em Cravinhos, no interior de São Paulo, em uma área de 180 mil metros quadrados. O complexo reúne cinco plantas de farmacêuticas e biológicos e abastece o Brasil e outros países da América Latina.
Para os próximos anos, a empresa pretende ampliar sua presença no mercado brasileiro de bovinos e avançar em outros países latino-americanos, como Argentina e Uruguai. A companhia já tem operações próprias no México e na Colômbia.
Gomes diz que a meta é manter a marca entre as principais empresas de saúde animal do país e fortalecer a proximidade com clientes. “Queremos ser uma empresa cada vez mais lembrada, próxima e capaz de cuidar dos negócios, dos animais e das pessoas de forma diferenciada”, finaliza.
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