BBB: Falas de Paula e ataques racistas na internet afetaram mãe de Rodrigo, diz irmão

  • Por Jovem Pan
  • 12/04/2019 18h56
Reprodução/Instagram O ex-BBB Rodrigo sofreu ataques racistas nas redes sociais

“Tenho medo do Rodrigo. Ele mexe com esses trecos… ele sabe cada Oxum [divindade de matriz africana] deles lá. Nosso Deus é maior”. Essa frase, dita pela participante do “BBB 19Paula Von Sperling, gerou polêmica e foi considerada racista por muitos internautas. A repercussão veio acompanhada de desentendimentos entre os dois e levou a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Rio de Janeiro, a investigar o caso em segredo de justiça. Paula está na final do reality show e vai disputar o prêmio de R$ 1,5 milhão com Alan nesta sexta-feira (12).

Um rosto pouco visto no meio dessa história é o de Vera Lúcia, de 70 anos. Mãe de Rodrigo França, ela precisou tomar o antidepressivo Sertralina durante a participação do filho no programa para aguentar a série de agressões que leu. “Disseram que ele utilizou entidades diabólicas para ele ganhar no jogo. Não existe diabo no candomblé. Essa é uma nomenclatura cristã e não queremos catequizar ninguém”, disse Fábio França, irmão de Rodrigo.

“Nós não deixamos nossa mãe manusear as redes sociais. A gente filtra, porque é uma senhora que voltou a usar remédio e fazer terapia por conta das ofensas”, afirmou. “É um jogo, mas as pessoas ultrapassam o limite da dignidade humana”.

‘Sendo crime ou não, a fala de Paula não pode ser admitida’

Segundo o advogado e professor de práticas antidiscriminatórias da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvio Almeida, afirmações como a de Paula sobre a religiosidade de Rodrigo não podem ser discutidas só na esfera criminal.

“Para avaliar se a lei é efetiva, precisamos pensar no modo como a sociedade vive e como ela reproduz comportamentos. Nos dias de hoje, a Constituição não basta para combater a cultura de intolerância. Precisamos de conscientização política e social para as normas se tornarem efetivas”, disse.

A afirmação do jurista se reflete nos números: a lei que penaliza a intolerância religiosa existe há mais de 20 anos, mas dados do Disque 100 sobre o tema calculam que houve uma denúncia a cada 15 horas entre janeiro de 2015 e junho de 2017, no Brasil – o equivalente a cerca de 1,4 mil casos.

Diante do alto índice de violência, Fábio França, irmão de Rodrigo, diz que a postura de Paula foi irresponsável ao falar do candomblé em rede nacional. “Quando estamos diante de uma câmera, temos que ter responsabilidade, porque falas como a da Paula são perigosas”, explicou.

*Com Estadão Conteúdo