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Copa do Mundo

Eliminação expõe falhas da Seleção e reforça que camisa não vence jogos sozinha

Não se pode negar que a Seleção tem bons jogadores, mas, coletivamente, os resultados não aparecem

Sarah Américo

neymar chora
Eliminação expõe falhas da Seleção e reforça que camisa não vence jogos sozinha ALEXANDRE BRUM/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

A desconfiança do brasileiro em relação à Seleção não era por acaso. A tensão para garantir a classificação para a Copa do Mundo nas Eliminatórias Sul-Americanas, as confusões envolvendo a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as trocas de técnicos entre 2022 e 2026 — foram quatro ao todo — pesariam em algum momento. E esse momento chegou.

Se o Brasil conseguiu respirar nas Eliminatórias, garantir a classificação antecipada e fugir da repescagem, além de, em alguns momentos, maquiar os problemas com resultados positivos em amistosos, que, somados às três vitórias conquistadas nesta Copa, trouxeram uma leve esperança aos torcedores, diante de uma seleção centrada, objetiva e com um jogador decisivo, nas oitavas de final a equipe voltou a se ver imersa em seus próprios problemas.

O Brasil que entrou em campo para disputar as oitavas de final era um time que ninguém no mundo esperava ver. Deixava a Noruega jogar e apenas se defendia. Era uma Seleção que buscava uma única bola para definir o jogo, da mesma forma que fazem equipes menos tradicionais, mas não com a postura que se espera de uma pentacampeã mundial. Por muitos momentos, o Brasil assistiu à Noruega jogar.

Nos números da partida, os noruegueses trocaram o dobro de passes da Seleção. Tinham tempo para pensar nas jogadas que fariam sem qualquer impedimento, porque em momento algum se sentiram intimidados pela pressão — existente apenas pelo peso da camisa e pelas cinco estrelas do Brasil. Dentro de campo, porém, não houve incômodo algum.

Não se pode negar que a Seleção tem bons jogadores, mas, coletivamente, os resultados não aparecem. Em jogos decisivos, há anos o Brasil se vê dependente de um nome para assumir o papel de herói. Neste ano, esse papel coube a Vini Jr. e, em alguns momentos, a Endrick.

O problema é que, há anos, a Seleção não consegue formar um time capaz de ter um jogador de destaque e, ao mesmo tempo, um conjunto de peças que funcione de maneira eficaz para solucionar os problemas da equipe. O coletivo é uma das maiores deficiências do Brasil e a grande realidade é que, Copa após Copa, apesar de seguir como a única seleção pentacampeã do mundo há 24 anos — motivo suficiente para ter sua história respeitada —, no presente o Brasil é apenas mais um time que, há bastante tempo, já não mete medo em ninguém.

Para o novo ciclo que se inicia logo após o retorno ao Brasil, há uma lição que não apenas a Seleção Brasileira, mas também outras potências tradicionais do futebol precisam compreender: o peso da camisa já não faz tanta diferença dentro de campo. Os resultados são construídos no presente, e não pelas glórias do passado.