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Copa do Mundo

Equilibrio em Copa de 48 seleções escancara o futebol cada vez mais nivelado

Primeia rodada da Copa do Mundo mostrou que hoje não existe mais 'bobo' no futebol e apenas a camisa não faz mais a diferença dentro de campo

Sarah Américo

Livano Comenencia, autor do primeiro gol do Curaçao em Copas do Mundo
Curaçao marcou seu primeiro gol na Copa do Mundo em cima da Alemanha e do experiente goleiro Manuel Neuer Paul ELLIS / AFP

Quando foi anunciada uma Copa do Mundo disputada em três países e com a participação de 48 seleções, dúvidas e incertezas sobre o nível técnico da competição tomaram conta do cenário esportivo. Afinal, o novo formato colocaria frente a frente equipes que ocupam, ou já ocuparam, o topo do ranking da Fifa e seleções que figuram em posições bem mais modestas.

Antes mesmo de a bola rolar, os prognósticos e os tradicionais bolões apontavam amplo favoritismo para potências como Brasil, Espanha e Uruguai diante de seus adversários.

Passada a primeira rodada da fase de grupos, porém, o cenário visto em campo foi bem diferente. O torneio começou equilibrado e mostrou que até mesmo seleções que venceram na estreia, como França e Alemanha, passaram por momentos de dificuldade durante suas partidas.

O panorama reforça a percepção de que não existem mais “bobos” no futebol. O nível competitivo está cada vez mais nivelado, obrigando as equipes que ocupam as primeiras posições do ranking a abandonarem qualquer sentimento de superioridade e encararem seus adversários de igual para igual, independentemente da tradição ou da quantidade de títulos conquistados.

Susto na primeira rodada

Apontado como um dos favoritos ao título e único pentacampeão mundial, o Brasil foi neutralizado por Marrocos durante boa parte da partida e acabou empatando na estreia. O resultado, no entanto, esteve longe de ser uma grande surpresa. A seleção africana terminou a última Copa do Mundo na quarta colocação e chegou ao torneio embalada por uma sequência de 30 jogos de invencibilidade.

A atuação da equipe brasileira virou motivo de comentários e críticas na imprensa internacional. Alguns jornalistas demonstraram surpresa com o desempenho apresentado e chegaram a afirmar que, atualmente, o Brasil “já não mete medo em ninguém”.

Vini Jr. foi o autor do gol do Brasil no empate contra Marrocos no jogo de estrei na Copa do Mundo 2026 │Photo by Jewel SAMAD / AFP

O maior choque da rodada ficou por conta da Espanha. Diante de Cabo Verde, seleção apontada como a mais fraca do Grupo H, a expectativa era de uma vitória tranquila dos espanhóis. No entanto, a partida terminou empatada em 0 a 0.

O Uruguai passou por situação semelhante e esteve perto de ser derrotado pela Arábia Saudita, que já havia surpreendido na Copa do Mundo de 2022 ao vencer a Argentina de virada. Já o Equador, vice-líder das Eliminatórias Sul-Americanas, acabou derrotado pela Costa do Marfim.

Vale destacar também a campanha iniciada pelos Estados Unidos. Embora a seleção masculina não tenha a mesma tradição do futebol feminino do país — vice-líder do ranking da Fifa e durante anos ocupante da primeira posição —, os norte-americanos, que são um dos anfitriões do torneio, estrearam com uma convincente vitória por 4 a 0 sobre o Paraguai.

No Grupo do Brasil, o Haiti também chamou atenção. A equipe caribenha deu trabalho à Escócia e, apesar da derrota por 1 a 0, apresentou um futebol competitivo e organizado. O desempenho serve de alerta para a seleção brasileira, que não convenceu na estreia e precisará elevar seu nível de atuação para evitar ser protagonista de mais uma zebra nesta Copa do Mundo. Até aqui, a principal surpresa do torneio foi o tropeço da Espanha diante de Cabo Verde.

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Vozinha parou os atacantes espanhóis no confronto contra Cabo Verde, e manteve a partida empatada │Divulgação/Fifa

Até mesmo Alemanha e França, que estrearam com vitória, encontraram dificuldades. Os alemães saíram na frente, mas viram Curaçao, que disputa sua primeira Copa do Mundo, empatar a partida e colocar pressão sobre uma seleção que vem de campanhas decepcionantes nas últimas edições do torneio. Foi preciso recorrer ao peso de sua tradição e aos quatro títulos mundiais para construir uma goleada e repetir um emblemático placar de 7 a 1.

A França também teve trabalho. Senegal conseguiu equilibrar as ações e levou o empate para o intervalo. No segundo tempo, porém, os franceses impuseram seu ritmo de jogo e passaram a tratar o adversário como uma ameaça real, não como um rival inferior. A mudança de postura fez a diferença, e a atual campeã venceu por 3 a 1.

Os resultados da primeira rodada reforçam uma realidade cada vez mais evidente no futebol mundial: vive das glórias do passado quem acredita que tradição, por si só, é suficiente para vencer. Hoje, apenas a camisa já não intimida os adversários nem decide partidas. Para permanecer entre os melhores, é preciso apresentar bom futebol dentro de campo e confirmar o favoritismo na prática, não apenas na história.