Ex-SPFC, Milton Cruz se envergonha com queda para ‘catado’ e dispara: ‘Esse é o legado do Leco’

“O São Paulo é muito grande, cara. Os caras não têm noção da dimensão do clube”, disparou o ex-coordenador técnico e desafeto público do presidente tricolor, em franca entrevista exclusiva ao Grupo Jovem Pan

  • Por Jovem Pan
  • 03/08/2020 12h31 - Atualizado em 03/08/2020 12h38
Rubens Chiri/saopaulofc.net/DivulgaçãoMilton Cruz foi coordenador técnico do São Paulo por quase 20 anos. Agora, arrisca-se como treinador

A vexatória eliminação para o Mirassol, em pleno Morumbi, nas quartas de final do Campeonato Paulista, ainda não foi bem digerida por boa parte dos torcedores do São Paulo. Que o diga Milton Cruz… Em entrevista exclusiva a Marcio Spimpolo e Bruno Prado na última edição do Seleção Jovem Pan, o ex-coordenador técnico tricolor desabafou e classificou como uma “vergonha” a queda do time comandado por Fernando Diniz para a equipe do interior, que teve de se desfazer de 75% do elenco durante a parada da pandemia. Milton disse que “um catado” conseguiu bater o São Paulo e disparou contra o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. “O que está acontecendo é o que está todo mundo vendo aí… Que vergonha ser eliminado por um time que fez um catado e conseguiu ganhar do São Paulo em pleno Morumbi. O São Paulo dando todas as condições para os jogadores e acabou acontecendo essa derrota aí. Mas esse é o legado que o Leco está deixando para o são-paulino”, afirmou.

Milton Cruz é desafeto público do presidente do São Paulo. Ele trabalhou por mais de duas décadas no clube, mas foi demitido em março de 2016 após entrar em rota de colisão com o grupo político liderado por Carlos Miguel Aidar e Leco. Milton foi comunicado do desligamento minutos depois de um treino, ainda no gramado do CCT da Barra Funda. “Foram quase 23 anos e me demitiram em 30 segundos”, afirmou, na ocasião. Ainda magoado com a forma como deixou o Tricolor, o ex-coordenador não se conforma com a seca do clube, que não conquista títulos há oito anos e, sob a gestão Leco, passou em branco nos 19 torneios que disputou.

“Eu acho que nós mudamos todo um planejamento que tínhamos, de contratações, de fazer as coisas do jeito que estávamos fazendo, que deu certo, de contratar jogadores sem custo… Agora, o São Paulo está gastando horrores e não consegue montar um time para ser campeão. São as pessoas que hoje estão no poder que achavam que era fácil conduzir o São Paulo porque estava ganhando, mas muita coisa mudou. Saiu muita gente que trabalhava, que conhecia… Todo mundo se gostava, se ajudava. Tinha presidente que era pulso firme e que era respeitado por todo mundo. Não só o Marcelo Portugal Gouvêa, como também o Juvenal (Juvêncio). Eu tenho grandes amigos lá, torço para que o São Paulo possa melhorar essa situação… Poxa, não é possível que o São Paulo esteja nessa situação. Não tem gente com a visão que a gente, que foi criado dentro do clube, tinha. E nem com o amor que a gente tem pelo clube”, lamentou.

Questionado sobre o trabalho de Fernando Diniz, Milton Cruz disse “gostar” do treinador de 46 anos, mas, por outro lado, deu a entender que ele ainda não tem experiência suficiente para comandar o São Paulo. “Eu gosto do Fernando, do modo como ele monta a equipe. Quando ele veio para o São Paulo, mudou um pouco… Não está jogando da forma como começou a jogar nos outros times. Mas o São Paulo é muito grande, cara. Os caras não têm noção da dimensão do São Paulo. Quantas vezes eu não tive a oportunidade de ficar como treinador, a pedido de jogador, de conselheiro, e nunca quis, porque sei a dimensão que é o São Paulo, o tamanho do clube. Eu vi grandes treinadores, que já comandaram a Seleção Brasileira, passarem por momentos de dificuldade no São Paulo e ficar: ‘o que eu faço? O que eu faço?’. Então, a gente sabe da dimensão do clube. Não é fácil conduzir o São Paulo”, explicou.

Os jogadores também não foram poupados pelo ex-coordenador técnico. Milton Cruz disse que, dentro de campo, os atletas têm de “chamar a responsabilidade”, “dar a cara a tapa” e mostrar “algo a mais”. “Não é só o dirigente, o presidente, o treinador… Na nossa época, os jogadores chamavam a responsabilidade também. Como o Muricy (Ramalho) sempe fala, você, como treinador, passa as informações, mas, dentro de campo, é o jogador que resolve. Então, são eles que têm de se unir. Depende muito da personalidade do jogador. Naquele time que foi campeão do mundo em 2005, por exemplo, ninguém sabia quem era Fabão, Cicinho, Rodrigo… Eram jogadores que vieram de times pequenos, foram recuperados e chegaram com vontade de ser campeão. Tá faltando, hoje, os caras mostrarem dentro de campo, darem a cara a tapa e chamarem a responsabilidade. Tem que ter o algo a mais”, finalizou.

Confira, abaixo, a entrevista exclusiva de Milton Cruz: