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Libanês em Beirute conta que precisou fugir às pressas: ‘Nossa casa está destruída’

Vários amigos do fotógrafo e arquiteto Karim Nasser estão feridos, hospitalizados e desaparecidos devido à tragédia

carolinafortes

Morador de Beirute, no Líbano, o fotógrafo e arquiteto Karim Nasser precisou fugir às pressas para as montanhas nesta segunda-feira, 4, ao ver sua casa ser destruída por uma explosão que deixou pelo menos 50 mortos e 2.750 feridos na capital. “Nossa casa em Beirute está destruída, junto com a de todos os outros”, contou em entrevista exclusiva à Jovem Pan. Vários de seus amigos estão feridos, hospitalizados e desaparecidos devido à tragédia.

Ainda não se sabe ao certo o que causou a explosão. De acordo com a agência de notícias local “ANN”, um incêndio foi iniciado perto de um armazém de trigo e se propagou, o que provocou a detonação, que acabou sendo sentida em toda a cidade e arredores. Informações do canal LBC, por sua vez,  citam que um depósito de fogos de artifício teria inflamado a explosão. De acordo com a mídia regional, haveria produtos químicos dentro do local onde aconteceu a explosão. “Negligenciaram os produtos químicos que foram armazenados no porto por pelo menos seis anos. Esta situação poderia ter sido evitada. Estamos nos afogando na corrupção”, contou Nasser.

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De acordo com ele, “a situação é um desastre e catástrofe completos e absolutos”. Além da pandemia da Covid-19, que já deixou 65 mortos e 5.062 infectados no país, o Líbano enfrentou neste ano uma onda de protestos, e passa por uma deflação econômica. Segundo o Banco Mundial, mais da metade da população libanesa vive hoje abaixo da linha da pobreza. “E agora somos atingidos com a pior bomba destrutiva que já atingiu Beirute”, completou Nasser.

O governador de BeiruteMarwan Abboud, chorou ao falar sobre a explosão. Em entrevista à Sky News, Abboud não conteve as lágrimas, disse que metade do município foi atingida e chegou a comparar o incidente aos atentados com bomba atômica às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. “Parece o que aconteceu no Japão, em Hiroshima e Nagasaki. Isso é o que me lembra. Em toda a minha vida nunca vi uma destruição nesta escala”, disse o governador, aos prantos. “É uma catástrofe nacional. É um desastre para o Líbano. Não sabemos como vamos nos recuperar disto. Temos que nos manter fortes, temos que ser valentes”, acrescentou.

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