Weintraub sobre programa para universidades: ‘Vai permitir separar o joio do trigo’
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que o programa “Future-se”, apresentado nesta quarta-feira (17) pela pasta, vai “voluntariamente permitir separar o joio do trigo” nas universidades federais.
O plano quer estimular institutos federais de ensino superior a captar recursos privados. A ideia é criar um fundo de R$ 102 bilhões, verba que será distribuída entre as universidades que aderirem voluntariamente ao programa. Para o ministro, o “Future-se” vai permitir que o Estado gaste menos com os alunos. “Teremos mais alunos se formando a um custo menor, mais pesquisas com um resultado de fato para a sociedade”, disse.
Segundo Weintraub, o programa deve premiar as universidades federais que estão mais preparadas. “Você tem universidades no Brasil que estão prontas para decolar e não estão sofrendo com o contingenciamento”, afirmou, citando a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba. O objetivo ainda é estimular a pesquisa na educação superior, mas com artigos publicados em “revistas de qualidade e sendo citados”, desenvolvimento de patentes e criação de startups que vão ajudar as regiões das universidades.
O chefe do MEC destacou que sua missão na pasta não é destruir as universidades federais. “A gente não quer destruir, a gente quer conduzir as universidades federais para o caminho correto”, afirmou.
O ministro ressaltou que o custo de um diploma nas federais é muito alto para os cofres públicos, em torno de R$ 450 mil por aluno formado, e a taxa de desistência dos cursos também é grande. “Todo aluno que desiste ao longo do curso é um fracasso”, resumiu. Ele também comparou o salário de professores do ensino superior com os de ensino básico. “Os professores do ensino básico ficam dentro da sala de aula 20 horas por semana e ganham R$ 2 mil, os de ensino superior com dedicação exclusiva trabalham 8 horas por semana e ganham de R$ 15 mil a R$ 20 mil.”
Abraham Weintraub ainda afirmou que sua gestão já está bem perto de reformular todo o ensino. “A gente já está bem avançado em quase toda a reformulação do ensino brasileiro”, disse.
Ele reclamou que medidas lançadas anteriormente pelo MEC, como as novas regras do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e o plano nacional de alfabetização, não tiveram repercussão na mídia. “Não estou aqui para fazer negócios, para trabalhar depois para uma grande empresa de educação da iniciativa privada, como outros ministros da Educação. Quero dar uma arrumada na bagunça que o PT deixou e voltar para a minha casa, para minha atividade”, disse sobre sua gestão na pasta.
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