Apoio a abaixo-assinado contra decreto de Obama impressiona aliado de Maduro
Caracas, 19 mar (EFE).- O governo da Venezuela classificou nesta quinta-feira como “impressionante” a resposta à convocação feita pelo presidente Nicolás Maduro ontem, com o objetivo de reunir 10 milhões de assinaturas para pressionar os Estados Unidos a revogar a medida executiva que declara o país como uma “ameaça à segurança nacional americana”.
“Foi impressionante a resposta de todo o povo desde muito cedo, aqui, na praça Bolívar de Caracas (…). As pessoas esperavam que se instalassem as mesas para iniciar a coleta das assinaturas”, revelou o prefeito de Libertador, Jorge Rodríguez, aliado de Maduro.
Ontem, o mesmo Rodríguez, apresentou uma campanha que garantiu ser “mundial” sob o lema “Obama revogue o decreto já”, em espanhol e em inglês, para pedir ao presidente americano o fim da medida aprovada no dia 9 de março, na qual declarou “emergência nacional” por causa da “ameaça incomum e extraordinária” que a Venezuela representa aos EUA.
A decisão foi criticada por Maduro dias depois. O presidente chamou o decreto de “passo mais agressivo, injusto e nefasto dado contra a Venezuela”, dentro de uma escalada de tensão entre Washington e Caracas. O chavismo garante que as ações são o início de um plano que terminará com uma intervenção militar americana na Venezuela.
O movimento foi iniciado ontem, quando Maduro mostrou na praça Bolívar, em Caracas, a primeira das assinaturas. Serão abertos “14 mil pontos” vermelhos em todo o país para coletar mais apoios, explicou Rodríguez.
Nomeado por Maduro como o diretor da campanha, o prefeito afirmou que o “impressionante” apoio à iniciativa se repetiu em 20 dos 23 estados da Venezuela. Até as 13h locais (15h30 em Brasília), foram recebidas 1.377.595 mensagens de apoio à pátria venezuelana através das redes sociais, vindas de 97 países.
A poucos metros do ato comandado por Rodríguez, um centro de coletas de assinaturas foi instalado no lugar conhecido como “a esquina quente”, onde há anos governistas se reúnem para falar das ideias do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013.
“Estamos coletando 10 milhões de assinaturas para que os EUA vejam o apoio que o Maduro tem do povo da Venezuela frente a ameaça imperialista”, afirmou à Agência Efe o membro do coletivo “A Esquina Quente da praça Bolívar”, Aquiles Navarro.
Ele é um dos encarregados de anotar e revistar o nome, a assinatura, o número de cédula e o telefone dos signatários. Desde o início da coleta, ele garante que já foram recolhidas quase 8 mil assinaturas.
“E ainda há filas que chegam a dois quarteirões e meio pouco depois do meio-dia”, acrescentou.
“Obama, olha, vê o que está acontecendo aqui, essas filas são uma batalha que estamos ganhando de você e sem usar bombas. Nós somos um país de paz, não de guerra”, defendeu a autônoma Ingrid García, que também apoia a iniciativa. EFE
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