Ré por assassinato do marido, Flordelis vira titular da Secretaria da Mulher na Câmara

Nomeação ocorre de forma automática no início de todo ano parlamentar e inclui as demais deputadas; Flordelis é apontada pela Justiça como mandante do crime e não foi presa por ter imunidade parlamentar

  • Por Jovem Pan
  • 03/02/2021 11h33 - Atualizado em 03/02/2021 16h54
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDODeputada é apontada pelo Ministério Público do Rio como mandante do assassinato de Anderson, ocorrido em 2019

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ), apontada como mandante do assassinato do marido em 2019, assumiu a titularidade da Secretaria da Mulher na Câmara. O novo cargo consta no perfil da parlamentar no site do Congresso. A nomeação ocorreu nessa terça-feira, 2, um dia depois do início do ano parlamentar. Segundo a assessoria da deputada, a nomeação como titular da Secretaria da Mulher ocorreu de forma automática, ou seja, todas as deputadas federais são indicadas titulares da pasta. A eleição para a escolha da coordenadora da bancada ocorre tradicionalmente depois do dia internacional da mulher. Hoje, a coordenadora da bancada é a professora Dorinha (DEM-TO). Em nota, a assessoria de Flordelis afirma que a parlamentar não irá se candidatar para nenhum cargo de liderança. “Além de não ter sido convidada para exercer nenhum cargo de liderança dentro da estrutura da Secretaria, a deputada Flordelis não possui interesse em assumir qualquer cargo já que está focada no exercício do seu mandato e em sua defesa na Justiça.” Criada em 2013, a Secretaria da Mulher uniu a Procuradoria da Mulher, formada em 2009, e a Coordenadoria dos Direitos da Mulher, que representa a Bancada Feminina. Segundo o portal da Câmara dos Deputados, a entidade “trouxe mecanismos importantes para a representação feminina no parlamento, como a presença da Coordenadora dos Direitos da Mulher (eleita pela Bancada Feminina) nas reuniões do Colégio de Líderes, com direito a voz, voto e a fazer uso do horário de liderança nas sessões plenárias.”

Flordelis é apontada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como mandante da morte do seu marido, o pastor Anderson do Carmo, assassinado na porta da casa em que morava com a deputada e dezenas de filhos na cidade de Niterói, no dia 16 de junho de 2019. A deputada também foi considerada pela Justiça a responsável do crime, mas, como conta com imunidade parlamentar, está em liberdade. A defesa da família do pastor entrou com pedido para que ela fosse presa em flagrante, já que não teria cometido crime no exercício da função como deputada. A suspeita inicial foi de que Anderson tivesse sido vítima de latrocínio, hipótese descartada pela polícia em pouco tempo. Logo após o enterro do pastor, dois filhos dele, Flávio dos Santos, de 38 anos, e Lucas dos Santos, de 18, foram presos. Flávio confessou ter feito os disparos que mataram o pai, e Lucas, segundo a polícia, teve envolvimento com a negociação da arma utilizada no crime. No dia 20 de agosto de 2020, oito pessoas foram presas por envolvimento na morte do pastor. Entre eles estavam cinco filhos e uma neta de Anderson e Flordelis.

A deputada chegou confessou que sabia da trama para o assassinato do marido, mas negou qualquer ligação com o crime. No depoimento dado no ano passado, Flordelis afirmou que o filho adotivo Lucas dos Santos mostrou uma mensagem de texto recebida do celular da própria deputada, pedindo que ele matasse Anderson. A parlamentar disse, porém, que todos tinham acesso ao aparelho de celular dela, e que a tal mensagem foi enviada por Márcia, uma de suas filhas. Flordelis tinha mais de 50 filhos, entre adotivos e biológicos, com Anderson. A deputada afirmou, também, que chegou a contar sobre a mensagem ao pastor, no entanto rechaçou qualquer envolvimento com o crime. A deputada também é alvo de um processo no Conselho de Ética da Câmara e corre o risco de ser cassada.