Temer recebe Cunha para discutir ‘quadro político’

  • Por Estadão Conteúdo
  • 28/06/2016 10h26
Brasília - O vice-presidente Michel Temer recebe do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a Medalha do Mérito Legislativo 2015 (Antonio Cruz/Agência Brasil) Antonio Cruz/Agência Brasil - 18/11/15 Michel Temer e Eduardo Cunha

Réu em dois processos na Operação Lava Jato, com um pedido de prisão ainda para ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e lutando para salvar o seu mandato, o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi recebido, no último domingo (26), pelo presidente em exercício Michel Temer.

Segundo interlocutores de Temer, que confirmaram o encontro, o presidente em exercício abriu as portas do Palácio do Jaburu para os dois fazerem “uma avaliação do quadro político atual”. A reunião, segundo fontes ligadas a Temer, teria sido uma iniciativa de Cunha, que telefonou para o presidente em exercício pedindo a conversa reservada.

Procurado, Cunha negou o encontro. “Não estive com ele. Eu não confirmo.” Apesar da negativa, o político disse que “era normal” o encontro e que o fazia “com regularidade”.

Além das implicações de Cunha na Lava Jato e suas possíveis consequências para o governo Temer, o Planalto também se preocupa com a sucessão na presidência da Câmara dos Deputados. O governo teme que um racha entre os aliados para a disputa prejudique a governabilidade na Casa e atrapalhe votações de seu interesse. Nos dois casos, entretanto, até agora, o esforço de Temer era o de adotar um discurso de que o assunto é do Legislativo e não pode sofrer interferência do Executivo.

Interesse

O Executivo, porém, tem todo o interesse que o escolhido seja alinhado com o Planalto para facilitar o andamento das propostas, embora tanto a Câmara quanto o Senado tenham aprovado todos os projetos até agora.

Em entrevista, na sexta-feira passada (24), Temer disse que Cunha não o atrapalhava em “absolutamente nada” e que era “claro” que os dois conversavam. “Aqui, no Brasil, há esse preconceito. Acha que não se pode falar com ninguém”, disse o presidente.

Temer e Cunha já se encontraram em pelo menos três ocasiões desde que o peemedebista assumiu a Presidência interinamente, no dia 12 de maio último. No encontro mais recente, a sucessão na Câmara entrou na pauta. Temer tem pressa em uma solução na Casa, embora, oficialmente, como já dito, o discurso seja de distanciamento.

Surpresa

O presidente em exercício se surpreendeu com o número de candidatos à presidência da Casa. Cunha está afastado do mandato como deputado e consequentemente da presidência da Câmara desde o início de maio.

Apesar de trabalhar para evitar a cassação de seu mandato e até mesmo se manter à frente do comando dos trabalhos dos deputados, diante da iminência crescente de sua saída definitiva, o parlamentar tem trabalhado intensamente para influenciar diretamente na escolha de seu sucessor na função.

Caso o peemedebista saia do cargo, pela legislação, uma nova eleição precisará ser convocada para um “mandato tampão” até que, em fevereiro do ano que vem, um novo deputado seja eleito para um novo mandato de dois anos.