Witzel pressiona Guedes e pede recursos para estados: ‘A União concentra dinheiro’
Governadores do Sul e do Sudeste já têm uma ação judicial preparada para entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) caso a União demore a adotar medidas efetivas para socorrê-los em meio à crise do novo coronavírus. Segundo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, a esperança é de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresente propostas até semana que vem.
Uma lista de reivindicações já foi feita pelos governadores. Em nova carta emitida após reunião na manhã desta quinta-feira (2), eles voltam a pedir medidas que vão além de meros empréstimos por parte do governo federal, entre elas a aprovação do Plano Mansueto e a suspensão do pagamento de dívidas com a União e do Pasep.
“O ministro Guedes precisa entender que o Brasil não pode ser um grande banco para estados”, apontou Witzel. “É preciso que o governo entenda que precisamos descentralizar recursos para os estados, que nesse momento precisam de liquidez. É preciso fazer valer o pacto federativo. A União concentra dinheiro, tem os fundos.” Ele voltou a pedir R$ 50 bilhões para os Estados, uma medida que defende desde o início da pandemia.
Witzel levou à reunião uma proposta de judicialização dos pedidos caso Guedes demore a acatá-los. Os governadores entrariam com uma ação no STF. “Caberá ao Supremo mediar esse conflito e adotar as medidas impositivas que somente o Judiciário pode tomar, como sequestrar fundos”, disse.
O governador e o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, também criticaram nesta quinta-feira a demora do governo federal em enviar materiais como respiradores e testes rápidos para a identificação da doença. Além disso, Witzel voltou a criticar a postura do presidente Jair Bolsonaro na condução da crise e a possível presença dele no Rio nesta sexta-feira, quando deve encontrar o prefeito Marcelo Crivella no hospital de campanha da Prefeitura.
“Neste momento, o exemplo que devemos dar é não fazer política em cima de uma situação dramática como a que estamos vivendo. E muito menos causar aglomeração”, criticou o governador, um dos alvos preferidos de Bolsonaro no âmbito da crise.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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