Dólar vai a R$ 5,66 com internação de Bolsonaro e Ômicron; Bolsa fecha em queda

Primeira sessão de 2022 encerra com a maior variação diária do câmbio em três meses; Ibovespa ignora bom humor internacional e volta ao patamar dos 103 mil pontos

  • Por Jovem Pan
  • 03/01/2022 18h42 - Atualizado em 03/01/2022 18h43
ITACI BATISTA/ESTADÃO CONTEÚDO Cédulas de dólar e real espalhadas Dólar recua após Campos Neto comentar sobre inflação acima do esperado em março

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo negativo nesta segunda-feira, 3, o primeiro dia de sessão de 2022. Os investidores acompanharam o avanço da variante Ômicron no mundo e a volta de medidas de restrição na Europa e nos Estados Unidos. Na pauta doméstica, o presidente Jair Bolsonaro (PL) precisou ser internado nesta madrugada para tratar de um quadro de obstrução intestinal. O dólar fechou com alta de 1,56% — a maior variação diária desde o fim de outubro —, cotado a R$ 5,663. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,673, enquanto a mínima não passou de R$ 5,561. A divisa norte-americana encerrou 2021 cotada a R$ 5,570, com desvalorização acumulada de 7,3% — o quinto ano seguido que o dólar fica acima do real. Apesar do bom humor dos mercados nos Estados Unidos, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, fechou com queda de 0,86%, aos 103.921 pontos. O índice encerrou o ano passado aos 104.822 pontos e registrou queda acumulada de 12%, o primeiro resultado negativo desde 2015.

Investidores seguem de olho no avanço da Ômicron e os seus efeitos nas atividades econômicas. De acordo com a plataforma FlightAware, que monitora a aviação em tempo real, mais de 3,6 mil voos foram cancelados em todo o mundo durante o último final de semana. Só os Estados Unidos são responsáveis por 2,1 mil cancelamentos (58,3%). A disseminação da nova variante da Covid-19 está entre as principais causas — empresas aéreas americanas relataram falta de funcionários contaminados com o coronavírus. Além disso, uma tempestade de neve prejudicou o tráfego de aeronaves em parte do país. Na Europa, autoridades sanitárias e médicas lidam o avanço no número de infectados e internações. No Reino Unido, o governo estimou que 1 a cada 15 pessoas em Londres estava infectada com o vírus antes do Natal. Já na Itália, as autoridades sanitárias alertaram que o nível de ocupação dos leitos, tanto nas unidades de terapia intensiva quanto os regulares, está crítico em todo o país.

Na pauta doméstica, Jair Bolsonaro deu entrada nesta madrugada no hospital Vila Nova Star, na capital paulista, após sentir fortes dores abdominais no domingo, 2. A unidade médica informou que o presidente tem um quadro de suboclusão intestinal, está estável e em tratamento. Bolsonaro deve passar por uma série de exames e ainda não há informações se ele vai precisar de uma cirurgia. Não há previsão de alta. Analistas do mercado financeiro voltaram a reduzir a expectativa para a economia em 2021 e 2022, segundo Boletim Focus divulgado nesta manhã. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 passou para alta de 4,50%, enquanto para este ano a estimativa é de 0,36%. A pesquisa feita pelo Banco Central (BC) também mostra que a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação doméstica, do ano passado caiu levemente para 10,01%, e para 2022 se manteve em 5,03%. Nos dois casos, o patamar está acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária. A visão negativa para a inflação pode pressionar o BC a aumentar o aperto dos juros para evitar que o cenário comece a contaminar a perspectiva para 2023. A Selic encerrou o ano passado a 9,25%. O mercado estima que o índice feche 2022 com a 11,50%.

Ainda na pauta nacional, a balança comercial brasileira bateu recorde em 2021 ao registrar superávit de US$ 61 bilhões, o melhor resultado da série histórica iniciada em 1989, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior. O resultado superou o pico de US$ 56 bilhões registrado em 2017 e representa avanço de 21% ante 2020, quando o saldo entre importações e exportações fechou positivo em US$ 50,4 bilhões. O mercado também acompanhou os movimentos de servidores federais por reajustes de salário. Nesta segunda-feira, funcionários do BC deflagraram uma ação para que servidores em cargos de carreira entreguem as posições para pressionar por reposição salarial. A estratégia é semelhante à de outras categorias, que anunciaram uma paralisação geral para o dia 18. O aumento das mobilizações deve gerar nova pressão ao governo para o crescimento de gastos, e impactar na confiança do mercado na capacidade de o Ministério da Economia manter a política fiscal sob controle às vésperas da eleição.