Ibovespa fecha em alta com recuperação da Petrobras e otimismo com Eletrobras

Principal índice da Bolsa de Valores brasileira encerra o pregão acima dos 115 mil pontos após dia de fortes quedas; dólar perde força e cai para R$ 5,44

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2021 18h27 - Atualizado em 23/02/2021 23h08
Tânia Rêgo/Agência BrasilAssim como para aumentos, estatal justificou alta pela política de paridade de preços internacionais

O mercado financeiro ensaiou uma recuperação nesta terça-feria, 23, depois de um dia de fortes perdas com a intervenção de Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da Petrobras. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou com alta de 2,27%, aos 115.227 pontos, puxado pela recuperação das ações da petroleira, que na véspera também foram as responsáveis pelo tombo de 4,9% do mercado após queda de 20%. Os papéis ordinários (PETR3) registraram alta de 8,9%, enquanto os preferenciais (PETR4) subiram 12,1%. A valorização da Eletrobras com a expectativa que o governo encaminhe ainda essa semana uma medida provisória de privatização também deram novo ânimo aos investidores. As ações ordinárias (ELET3) cresceram 13%, ante alta de 10,8% das preferenciais (ELET6). O cenário também fez o dólar perder força ante o real, com queda de 0,21%, cotado a R$ 5,442. A divisa bateu máxima de R$ 5,484, enquanto a mínima não passou de R$ 5,409. O dólar fechou a véspera com impulso de 1,2%, a R$ 5,453.

O mercado se manteve apreensivo após a intervenção de Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da Petrobras, que somente nesta segunda-feira perdeu R$ 75 bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira, 19, o presidente anunciou a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna após uma série de reajustes nos preços da gasolina e do diesel. O conselho administrativo da estatal está reunido nesta terça para deliberar a substituição, entre outros assuntos. O sinal de Bolsonaro foi encarado pelo mercado como ingerência sobre uma empresa listada na Bolsa de Valores, e acentuou o risco de guinada na política econômica do governo federal. Bolsonaro voltou a criticar a Petrobras nesta terça-feira ao dizer que “tem muita coisa errada” na estatal, e que “o novo presidente vai dar uma arrumada.” Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a negar que o pedido de mudança no comando representa interferência. “O que eu interferi na Petrobras? Alguém responde aí? O que eu falei para baixar o preço? Nada, zero”, disse o presidente, que também elogiou Silva e Luna. “Vocês vão ver a Petrobras como vai melhorar. Assim como, se tiver que fazer qualquer mudança, nós faremos.”

Ainda no noticiário doméstico, investidores seguem acompanhando as negociações para a volta do auxílio emergencial. No fim da manhã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou em cima da hora a participação em um evento internacional sobre o ingresso do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o apresentador do evento, o ministro cancelou a fala porque foi chamado ao Congresso para lidar com assuntos emergenciais relacionados à agenda de reformas. O evento estava programado na agenda oficial de Guedes para às 11h. De acordo com a organização, o ministro avisou sobre o cancelamento 30 minutos antes do início do evento. A agenda do ministro foi atualizada com um encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Arhur Lira (PP-AL), às 13h.

Líderes do Congresso fecharam acordo com o governo federal para colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial em votação no Senado na próxima quinta-feira, 25. O texto, que apresentará a cláusula que dá brecha para a retomada do benefício, foi entregue aos líderes pelo relator, senador Márcio Bittar (MDB-AC), nesta sexta-feira. A expectativa é que a PEC avance sem grandes percalços e seja aprovada até 3 de março. O texto ainda deve passar pela aprovação da Câmara dos Deputados. Para Pacheco, o governo federal deve editar a medida provisória que libera o auxílio após os trâmites no Senado. “O que nós vamos pretender é que, uma vez aprovado no Senado, já haja por parte do governo uma efetivação do auxílio emergencial, considerando que há uma tendência muito clara da Câmara dos Deputados diante da importância disso para o país e para viabilização do auxílio emergencial, também aprová-la num tempo que seja adequado”, afirmou.