Eleições 2020: Os desafios da administração pública na Zona Sul de SP
Com mais de 2,3 milhões de habitantes, a zona sul de São Paulo é uma região de extremos, que vai desde o luxo da Vila Nova Conceição, um dos metros quadrados mais caros da capital, até locais considerados zona rural. A moradora de Palheiros, Valéria Macoratti, trabalha com agricultura familiar e vive da produção de alimentos orgânicos. A Valéria se mudou de Guaianases, no extremo da zona leste da cidade, para essa chácara em 2007. Ela deixou para trás a administração de uma escola de ensino fundamental para lidar com a terra. “Hoje eu trabalho muito mais do que antes, mas a minha felicidade é muito grande. Você fazer o que gosta não tem o que falar, eu acordo motivada, durmo motivada e fico o dia inteiro assim”, afirma.
Atualmente, embora seja um local de tradicionais extremos, um problema crescente na região é a construção de moradias irregulares, principalmente em áreas de preservação ambiental. Segundo um dossiê feito pelo vereador Gilberto Natalini (PV), desde 2015 pelo menos 170 áreas da Mata Atlântica foram devastadas na cidade para dar lugar a casas e apartamentos. A maior parte acontece na zona sul. “Essa devastação não é feito pelo movimento de moradia, não é feita pelo moradia, isso é preciso falar. Não é o povo organizado, como acontecia no passado. Hoje, quem está fazendo isso é uma organização criminosa“, explica.
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Mas as consequências da construção irregular vão além do dano ambiental: quem mora nesses locais sofre com a falta de infraestrutura adequada. O resultado é a desigualdade entre moradores de bairros localizados em uma mesma região. O maior exemplo disso é a comunidade de Paraisópolis, a segunda maior da cidade, com mais de 100 mil moradores. As paredes de tijolo sem pintura das casas contratam com o verde e o colorido dos apartamentos de alto padrão do Morumbi. Esta desigualdade, é comprovada nos indicadores sociais, como mostra o coordenador da rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão. “Pois em Marsilac nós temos, aproximadamente, 18% das mulheres té 18 anos estão grávidas. Já em um distrito central da cidade, como Moema, apenas 0,4% das mulheres até 18 anos, que são jovens, estão grávidas. Ele mostra uma dificuldade de acesso às questões de educação e de perspectiva para essa mulher jovem”, reforça.
*Com informações da repórter Nicole Fusco
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