Governo muda tom e adota cautela em relação a disputa no Oriente Médio
O presidente Jair Bolsonaro evitou comentar a decisão do governo iraniano de pedir esclarecimentos a autoridades brasileiras sobre o posicionamento oficial do brasil diante dos conflitos no Oriente Médio.
Bolsonaro defendeu de forma clara o combate ao terrorismo, mas o que incomodou o Irã foi a nota divulgada pelo Itamaraty na última sexta-feira (3) em que o Brasil presta apoio a luta contra o flagelo do terrorismo.
No documento, o governo brasileiro criticou o ataque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá — mas não citou o ataque norte-americano.
O presidente discutiu o assunto durante o almoço com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Bolsonaro explica que só pretende avançar na questão após o retorno ao Brasil do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Jair Bolsonaro ressaltou que não houve retaliação por parte do Irã e que as relações comerciais serão mantidas. “Temos comércio com o Irã e vamos continuar. O Ernesto está fora do Brasil, chegando aqui vou conversar com ele.”
Os militares recomendaram cautela ao presidente Jair Bolsonaro. A avaliação que se faz neste momento é de que a briga não é do Brasil e que, como temos relações comerciais com vários dos envolvidos, o mais indicado é manter silêncio.
Para se ter uma ideia, as exportações brasileiras para o Irã, em 2019, somaram R$ 9 bilhões — e teve crescimento superior a 50% nos últimos anos. Os iranianos compram milho, carne bovina e carne de soja do Brasil.
*Com informações da repórter Luciana Verdolin
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