EUA atacam costa do Irã com ‘munições profundas’ para tentar reabrir Ormuz
Segundo o Comando Central Militar norte-americano, os ‘mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nessas posições representavam um risco para a navegação internacional no Estreito’
Os Estados Unidos atacaram nesta terça-feira (17) posições do Irã no Estreito de Ormuz. “Forças americanas empregaram com sucesso múltiplas munições de penetração profunda de 5.000 libras [cerca de 2.300 kg] contra posições fortificadas de mísseis iranianos ao longo da costa do Irã, perto do Estreito de Ormuz”, diz o comunicado do Comando Central Militar norte-americano. “Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nessas posições representavam um risco para a navegação internacional no estreito”, continuou.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, operando como a fronteira natural entre o Irã e a Península Arábica. A região é classificada como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo. Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam por suas águas diariamente, volume que equivale a cerca de 20% do consumo global da commodity. Entender a geografia e o xadrez político dessa rota é essencial para explicar por que um possível fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã pode causar um colapso na economia global.
Desde o começo da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o local foi fechado. Entretanto, no domingo (15), um petroleiro com bandeira paquistanesa cruzou o Estreito de Ormuz e manteve acionado o sistema de rastreamento, segundo dados do site MarineTraffic, o que “sugere que alguns transportes talvez estejam se beneficiando de uma passagem segura negociada” com o Irã.
Trump sem apoio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “se necessário”, mandaria a marinha para escoltar os navios para passar pelo Estreito de Ormuz. Nesta terça, diante da falta de apoio, ele declarou que os Estados Unidos “não precisam da ajuda” de ninguém, nem da OTAN, para reabrir militarmente o Estreito de Ormuz, em uma mensagem na plataforma Truth Social, criticando seus aliados da Otan.
“A maioria dos nossos ‘aliados’ da Otan nos informou que não quer se envolver em nossa operação militar contra o regime terrorista no Irã”, declarou o presidente. “Dado o sucesso militar que obtivemos, não ‘precisamos’ nem queremos mais a ajuda dos países da Otan: NUNCA PRECISAMOS DELA!“, acrescentou Trump.
Guerra no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio chegou ao 18º dia nesta terça, com Israel anunciando bombardeios em larga escala contra Teerã e contra posições do movimento pró-iraniano Hezbollah no sul de Beirute. Em pouco mais de duas semanas, a guerra iniciada por Israel e Estados Unidos contra o Irã deixou mais de 2.200 mortos, a maioria no Irã e no Líbano, segundo as autoridades dos países envolvidos.


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