Facebook mantém suspensão da conta de Trump mesmo após posse de Biden

A rede social afirmou que o destino do perfil do ex-presidente dos Estados Unidos será decidido por um conselho independente, sem a interferência do CEO Mark Zuckerberg

  • Por Bárbara Ligero
  • 21/01/2021 15h51
Geralt PixabayAlém do Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e Snapchat também tomaram medidas contra Trump

O Facebook anunciou nesta quinta-feira, 21, que está transferindo a decisão sobre a suspensão da conta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um conselho independente. O comitê, cujas decisões não podem ser anuladas nem mesmo pelo CEO Mark Zuckerberg, foi criado no ano passado para ponderar sobre questões delicadas de conteúdo. Segundo o comunicado divulgado pela empresa, esse grupo é composto por “especialistas e líderes cívicos do mundo inteiro, com uma ampla variedade de experiências e perspectivas”. “Esperamos receber a decisão do conselho – e esperamos, dada a justificativa clara para nossas ações em 7 de janeiro, que ela mantenha a escolha que fizemos”, diz a nota.

O Facebook e o Instagram bloquearam os perfis de Donald Trump por “tempo indefinido” após a invasão ao Capitólio no último dia 6. “Um presidente dos EUA fomentando ativamente uma violenta insurreição destinada a impedir a transição pacífica de poder; cinco pessoas mortas; legisladores que fogem da sede da democracia. Isso nunca aconteceu antes – e esperamos que nunca aconteça novamente. Foi um conjunto de eventos sem precedentes que exigiu uma ação sem precedentes”, justifica a empresa. Na ocasião, Zuckerberg afirmou que a medida ficaria em vigor pelo menos até a posse de Joe Biden, o que aconteceu nesta quarta-feira, 20, para ajudar a garantir uma transição pacífica de poder.

“Alguns disseram que o Facebook deveria ter banido o presidente Trump há muito tempo, e que a violência no Capitólio era em si um produto da mídia social; outros, que foi uma demonstração inaceitável de poder corporativo sobre o discurso político. Consideramos que nas democracias abertas as pessoas têm o direito de ouvir o que seus políticos dizem – o que é bom, o que é mau e o que é feio – para que possam ser responsabilizadas. Mas isso nunca significou que os políticos podem dizer o que quiserem. Eles continuam sujeitos às nossas políticas que proíbem o uso de nossa plataforma para incitar a violência”, defendeu a empresa.

No entanto, o fato de uma única empresa ser capaz de limitar o livre acesso ao debate político foi alvo de críticas. O Facebook reconheceu a existência dessa polêmica e afirmou que comitê foi criado justamente para ter o “poder de impor decisões a uma empresa privada de mídia social”. “É o primeiro órgão deste tipo no mundo”, reitera.  A problemática também já tinha sido abordada por Jack Dorsey, CEO do Twitter, rede social que decidiu banir Trump definitivamente de sua plataforma. Ele afirmou que, apesar de acreditar que a medida foi a melhor solução para o problema, ela também abre um precedente perigoso em relação ao poder que uma entidade tem sobre debates que são de interesse público e global.