PMs mudam versão sobre tiro em criança

  • Por Estadão Conteúdo
  • 13/06/2016 09h31
Manaus, 16/09/2015. TJAM encaminha 352 armas de fogo para destruição no 12º Batalhão de Suprimentos do Exército, no km 53 da AM-010. Foto: Raphael Alvesarma de fogo

Os quatro policiais militares envolvidos na morte de um menino de 10 anos, no último dia 2, na Vila Andrade, zona sul de São Paulo, mudaram a versão sobre o momento em que atiraram contra a criança em novo depoimento à polícia.

No dia do registro da ocorrência, os agentes relataram que, após perseguição, o menino bateu na traseira de um caminhão, o que fez o veículo parar. Neste momento, segundo a primeira versão dos oficiais, a criança teria atirado em direção à viatura, fazendo com que estes revidassem imediatamente, acabando por matar o garoto.

Em depoimento prestado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na sexta-feira passada (10), no entanto, os PMs afirmaram que o tiro disparado contra o carro dos meninos aconteceu antes de o veículo parar. A informação foi dada pelo advogado dos sodados, Marcos Manteiga, ao SPTV, da TV Globo, e confirmada ao Estado pelo ouvidor das polícias, Júlio César Fernandes Neves, que conversou com a defesa dos policiais.

“O momento do tiro do policial, quando vocês percebem ali que o carro bate na traseira de um caminhão e a motocicleta cai, é antecedente à queda da motocicleta”, relatou o advogado, em entrevista à emissora. 

“Quando o policial da moto cai e já fica em pé é que ele está fazendo ainda a abordagem, pois ele não sabe se iria ter outra agressão, não há disparo de fogo naquele momento”, completa Manteiga.

Para o ouvidor das polícias, a versão foi alterada pelos PMs porque o depoimento inicial não havia sido comprovado pelo resultado parcial da perícia, que apontou marca de apenas um disparo de arma de fogo no vidro do veículo, vindo no sentido de fora para dentro. “Mudaram a versão porque, daquele jeito, viram que estavam liquidados. Na tese antiga, eles seriam condenados porque não houve tiro naquele instante (depois da colisão)”, afirmou.

Nova tese

Neves diz acreditar que, com a nova versão, a defesa dos policiais militares vão apostar na narrativa de que os oficiais agiram em legítima defesa do tipo putativa, quando, presumindo uma possível agressão, a pessoa se antecipa e reage.

A reportagem não conseguiu localizar, no último domingo (12), o advogado dos policiais. Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública confirmou que os soldados prestaram depoimento no DHPP, na pssada sexta-feira (10), mas não quis divulgar mais detalhes sobre o teor das declarações.

Em nota, a pasta afirmou que todas as versões apresentadas serão analisadas e as testemunhas do caso, ouvidas. “Provas técnicas estão sendo produzidas por meio de laudos”, informou.