Em meio a polêmicas, Fachin diz que juiz deve ter ‘comportamento irrepreensível’

Em aula magna para estudantes de direito em Brasília, o presidente do STF listou princípios éticos para a magistratura e defendeu a humildade institucional do Judiciário

  • Por Jovem Pan
  • 16/03/2026 15h03 - Atualizado em 16/03/2026 15h41
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Rosinei Coutinho / STF Presidente do STF, Edson Fachin, durante aula magna para estudantes de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Presidente do STF, Edson Fachin, durante aula magna para estudantes de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (16) que o juiz deve ter um “comportamento irrepreensível na vida pública e privada”. A declaração foi dada durante uma aula magna para estudantes de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB).

“[O juiz] mantém integridade na vida pública e privada, uma vez que deve ‘adotar comportamento irrepreensível na vida pública e privada'”, disse Fachin.

Durante a fala, o ministro apresentou um conjunto de dez diretrizes baseado em princípios nacionais e internacionais da profissão. O objetivo, segundo ele, é garantir a integridade e a legitimidade do sistema de justiça.

O ministro também disse que o magistrado deve recusar qualquer tipo de favor. “Rejeita vantagens, presentes ou benefícios, por isso que é vedado receber benefícios, presentes ou vantagens de pessoas interessadas em processos”, afirmou.

O presidente do STF também pontuou que o profissional do direito precisa exercer sua função livre de pressões externas, mantendo-se distante de atividades político-partidárias e garantindo a imparcialidade ao evitar “comportamentos que possam refletir favoritismo, predisposições ou preconceitos”. Segundo Fachin, o juiz deve ter prudência e reserva, evitando falar publicamente sobre casos que ainda estão pendentes de julgamento.

Papel do Judiciário

Fachin também abordou o papel do Judiciário na democracia brasileira. Ele reconheceu o dilema de juízes não eleitos pelo voto popular tomarem decisões que impactam a sociedade e a política.

Para o ministro, esse dilema se resolve com o que chamou de “humildade institucional”. “Reconhecer que os tribunais têm autoridade para dizer o Direito, mas não têm o monopólio da sabedoria política. A autocontenção não é fraqueza; é respeito à separação de poderes”, explicou.

Fachin também alertou para os riscos de o STF e outros tribunais assumirem o protagonismo em escolhas que deveriam ser feitas pelo Congresso ou pelo Governo Federal. Ele ponderou que, embora o Judiciário deva garantir direitos quando outros poderes falham, a sociedade não pode se acostumar a levar todas as suas disputas políticas para os tribunais.

“Os tribunais devem resistir à tentação de fazer tudo, pois decisões que concentram poder no Judiciário para combater a concentração de poder no Executivo podem, a longo prazo, ser tão prejudiciais à democracia quanto o problema que pretendem resolver. A solução sustentável está no fortalecimento das instituições intermediárias — não na substituição delas pela tutela judicial”, disse.

Código de Ética

Desde o ano passado, o STF tem sido palco de uma discussão sobre a criação de um Código de Ética próprio para os ministros da Corte. O tema ganhou prioridade na gestão de Edson Fachin.

No mês passado, o presidente da Corte teria uma reunião com os membros da Corte para discutir a proposta de criação do Código de Ética. Entretanto, a assessoria da Suprema Corte informou que o encontro marcado para o horário do almoço foi adiado por incompatibilidade de agenda do ministro Fachin.

Já na sessão solene de abertura do Ano Judiciário de 2026, Fachin havia reafirmado o compromisso com a criação do Código de Ética e anunciado que a ministra Cármen Lúcia será a relatora da proposta.

O debate sobre o Código de Ética no STF ocorre em meio a questionamentos sobre a conduta que o ministro Dias Toffoli teve na condução do caso envolvendo o Banco Master.

No último dia 11, o magistrado se declarou suspeito sobre as acusações referente ao seu envolvimento no Banco Master, do qual era relator. “Nos termos do disposto no art. 145, § 1º, do Código de Processo Civil, declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo”, disse o ministro. “Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à Presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes”, acrescentou.

A declaração veio no mesmo dia em que o ministro foi escolhido para ser o responsável por julgar o mandado de segurança que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a relação do Banco Master e o BRB (Banco Regional de Brasília). A escolha foi feita por meio de sorteio virtual.

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