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Política

Juízes têm o dever de prestar contas e reconhecer falhas, diz Fachin

Declarações do presidente do STF acontecem em um contexto de crise na imagem da Corte, com revelações do caso Master

Nicolas Robert

Presidente do STF, Edson Fachin, durante aula magna para estudantes de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB)
Presidente do STF, Edson Fachin, durante aula magna para estudantes de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Rosinei Coutinho / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que os integrantes do Poder Judiciário têm o “dever de prestar contas” e que a sociedade espera que os juízes saibam ouvir críticas e reconhecer falhas. As declarações foram feitas na manhã desta quinta-feira (7), em evento realizado na Corte sobre o papel das ouvidorias judiciais.

“Todos nós que exercemos uma função pública desta natureza temos o dever de prestar contas. Sem o prejuízo da nossa independência, que é indeclinável, temos o dever de dizer como e de dizer por quê”, afirmou.

Fachin ainda disse que “vivemos um tempo em que a confiança nas instituições é um bem escasso e disputado” e que o Judiciário, historicamente, sempre esteve entre as instituições “menos permeáveis ao controle social direto em termos legítimos e democráticos”.

As declarações do ministro foram feitas em um contexto de crise de imagem do Supremo, que se intensificou por revelações sobre supostas relações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Fachin defende a elaboração de um código de ética como resposta à crise – o que enfrenta resistências de parte dos ministros.

O presidente da Corte também falou que a confiança não pode ser recuperada “por decreto”, nem somente por declarações públicas. “A confiança se constrói por comportamentos consistentes ao longo do tempo, e um dos comportamentos mais valorizados e mais esperados é justamente o de saber ouvir críticas, e eventualmente as falhas serem reconhecidas, quando existirem”, afirmou.

“Nós, integrantes do Poder Judiciário, temos a indispensável prerrogativa do agir com independência, mas isso não significa isolar-se numa fortaleza impenetrável que nãos seja compreensível e acessível”, disse Fachin, acrescentando que as ouvidorias são uma das formas mais efetivas de abrir o Judiciário à escuta dos cidadãos.

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