Líder da oposição no Congresso critica Moraes após suspensão da Dosimetria
O senador Izalci Lucas (PL-DF), líder da oposição no Congresso, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter suspendido a promulgação da lei da dosimetria neste sábado (9).
Segundo o senador, a decisão é uma suspensão da vontade popular, depois de afirmar que o Parlamento, eleito pelo povo, votou a favor da lei, e que “um único homem, não eleito, apagou essa decisão com uma canetada”.
O texto também diz que a medida é um “atropelo inaceitável às prerrogativas do Poder Legislativo” e uma “inversão perigosa da segurança jurídica”.
Izalci termina argumentando que é urgente uma PEC que limite as decisões monocráticas que suspendem leis aprovadas pelo Parlamento.
Decisão de Moraes
Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até que a Corte julgue ações que questionam a constitucionalidade da norma.
Na decisão, o ministro afirmou que a existência de ações diretas de inconstitucionalidade contra a Lei da Dosimetria representa um “fato processual novo e relevante”, o que justifica a suspensão da aplicação da norma até que o Supremo conclua o julgamento sobre a constitucionalidade do texto.
A decisão foi publicada neste sábado em resposta a dez pedidos de redução de pena de condenados pelo 8 de Janeiro.
Dessa forma, os condenados terão de aguardar a decisão definitiva da Corte para acessar os benefícios previstos pela lei, como a redução das penas.
Ao analisar os pedidos, Moraes citou que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a federação PSOL-Rede acionaram o Supremo para questionar a constitucionalidade da Lei da Dosimetria.
As ações contestam o trecho da nova legislação que prevê que, nos casos de crimes contra o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado praticados no mesmo contexto, seja aplicada apenas a pena mais grave, sem a soma das punições, como ocorria anteriormente.
Segundo os autores das ações, a mudança pode criar um tratamento mais favorável para crimes relacionados à ruptura institucional, permitindo que condenados por ataques à democracia recebam penas mais brandas do que autores de crimes violentos comuns.
Promulgação
A promulgação da norma havia sido anunciada na sexta-feira (8), após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo argumentava que o texto contrariava o interesse público ao reduzir penas para crimes contra a democracia.
A Lei da Dosimetria diminui as penas aplicadas aos condenados por tentativa de golpe de Estado no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, após a derrota nas eleições de 2022.
Moraes foi relator das ações penais relacionadas aos atos golpistas e responsável pelas condenações dos envolvidos.
Também na sexta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV) informaram que iriam acionar o STF para contestar a constitucionalidade da nova lei.
Assuntos
continue lendo
Política
Mendonça demorou 9 dias para decidir sobre Wagner, mas 75 no caso de Castro, diz PF
Documento da Polícia Federal (PF) aponta diferença de prazos de análise de medidas cautelares contra políticos de diferentes espectros
- Em resposta a Fachin, PGR abre investigação para apurar se investigação de PF contra Moraes é ilegal Matheus Alleoni · há 9 horas
- Em meio a crise, STF reforça esquema de segurança para o 7 de Setembro Estadão Conteúdo · há 9 horas
- TSE aprova oito candidaturas à Presidência; saiba quais Estadão Conteúdo · há 9 horas
- Candidato ao governo do DF, José Arruda entra com recurso contra inelegibilidade Jovem Pan · há 9 horas