Reino Unido dificulta imigração pós-Brexit; mais qualificados e fluentes em inglês terão preferência
O governo britânico apresentou suas novas regras de imigração para o pós-Brexit e o alvo principal são os europeus menos qualificados. Como já era esperado, o gabinete de Boris Johnson vai tentar acabar com a imigração de trabalhadores considerados baratos.
A preferência será dada para quem tem mais qualificação, fala inglês e já chega com oferta de trabalho em uma empresa aprovada pelo governo. O Reino Unido vai implementar um sistema de pontos para ranquear imigrantes em potencial.
Para conseguir um visto de trabalho será necessário atingir 70 pontos dentro dessa escala que será implementada. Quanto mais qualificação, melhor o salário oferecido, a área de atuação e o inglês fluente, maior as notas para o candidato a imigrante.
As mesmas regras vão valer para estrangeiros de dentro e fora da União Europeia a partir do novo sistema.
Na prática, isso significa que o processo todo vai ficar um pouco menos complicado para quem não é do bloco. Já para os europeus, o ranqueamento é uma espécie de afronta uma vez que o continente ainda apostava na manutenção da livre circulação de pessoas.
Os imigrantes com visto de trabalho também terão acesso restrito ao esquema de auxílio social britânico — atualmente os europeus têm os mesmos direitos que os locais.
O que o governo britânico não quer é que imigrantes continuem entrando no país para trabalhar em vagas que não exigem qualificação e pagam pouco. Ainda que Londres, por exemplo, seja como é hoje justamente por conta desta mão de obra barata que apoia a economia local.
O gabinete de Boris Johnson alega que 3,2 milhões de europeus pediram visto de residência no país depois do Brexit — e que esse contingente pode suprir a demanda por trabalho não qualificado. As novas regras são mais uma tentativa do governo britânico de reduzir o número de imigrantes no país.
Desde que voltaram ao poder em 2010, os conservadores prometem sucessivamente reduzir a imigração para atender o desejo de parte do eleitorado. Até hoje o partido não conseguiu fazer isso — agora fora da União Europeia a meta ficou bem mais fácil de ser alcançada.
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