‘Tenho minhas diferenças com o presidente, mas não faço oposição ao governo’, diz Major Olímpio
Diante das manobras que podem levar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a disputar a reeleição, o senador Major Olímpio se colocou à disposição para presidir a Casa. Em entrevista à Jovem Pan, Olímpio afirma que sua candidatura não é uma forma de protesto. Segundo ele, a escolha de Alcolumbre para a presidência do Senado veio de uma campanha para impedir que Renan Calheiros ocupasse o cargo, mas que o atual presidente não cumpriu o que se esperava dele. “Na últimas eleições, eu era candidato, o Álvaro Dias também, a Simone Tebet também. Quando fomos ao plenário, nós pensamos que, se fôssemos todos candidatos, o Renan ganharia. Então, naquele momento, nós fizemos um compromisso com o Davi, e avaliamos que ele tinha as melhores condições para fazermos a transformação que o Senado precisa e a população exige. Infelizmente, isso não aconteceu.”
Major Olímpio ainda criticou a forma como um processo de impeachment é conduzido. “Nós temos 70 anos da existência da lei do impeachment no Brasil. Nunca iniciou-se um processo de impeachment de ministro do Supremo, ou de procurador-geral da República, porque fica numa decisão monocrática. Não estou dizendo que vou abrir todos os processos de impeachment caso seja presidente, mas a decisão deve ser do plenário, e não de uma pessoa, para que o plenário seja soberano nas decisões do país”, afirma o senador. Mudar o regimento interno da Casa é a prioridade de Olímpio.
[jp-related-posts ids=”988520,988375,988242″]
O senador enxerga o Senado como um “puxadinho” do Palácio do Planalto. “Eu vejo coisas que são fundamentais, pautas da segurança pública, que ficaram só na campanha e foram esquecidas.” Sobre a ruptura com o presidente Jair Bolsonaro, Major Olímpio diz que a questão foi pessoal, e que isso não pode ser confundido. “Eu não faço oposição ao governo, eu tenho minhas diferenças com o presidente porque ele queria que eu tirasse minha assinatura da CPI da Lava Toga, num ‘acordaço’ para proteger o filho. Eu não tenho acordo com isso e não vou ter nunca, mas o respeito institucional do Senado, isso não tem a menor dúvida de que eu faria cumprir.”
Quanto à sua postura em relação a Bolsonaro, ele disse que será “absolutamente republicano”, mas que respeito não é subserviência. “Respeito a PGR, a presidência, o STF, mas sem abrir mão de uma vírgula da competência institucional do Senado. Não dá para ficar subserviente, nós temos que alterar o posicionamento, para que as medidas provisórias não fiquem quase o período todo delas, quase 120 dias na Câmara dos Deputados, e só enviarem ao Senado no último dia, para servirmos apenas como uma mesa carimbadora. Nós vamos ter respeito aos programas de governo, à figura do presidente, mas não será um ‘puxadinho'”, completa Olímpio.
Assuntos
continue lendo
Política
Perícia recusou ao menos 15 aparelhos de operação sobre ‘Dark Horse’ por falha no lacre
Equipamentos tinham selo intacto, mas perícia identificou vão que permitiria conexão USB
- Medalista olímpica, Leila do Vôlei tenta reeleição ao Senado pelo DF Júlia Lara · há 2 semanas
- Renan Santos formaliza pedidos de impeachment contra Moraes e Toffoli, do STF Marcelo Bamonte · há 2 semanas
- Alexandre Kalil, o ex-presidente do Atlético-MG, que foi prefeito de BH e agora quer o governo de MG Sarah Américo · há 2 semanas
- Vorcaro perguntou se devia ‘estar fora’ para Moraes dois dias antes de ser preso Fernando Keller · há 2 semanas