A corrida de Trump contra o tempo na guerra com o Irã

Programa nuclear iraniano é o pretexto utilizado pelos EUA e Israel para atacar o Irã e derrubar o regime teocrático dos aiatolás

  • Por Alan Ghani
  • 02/03/2026 14h14 - Atualizado em 02/03/2026 14h14
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TRUTH SOCIAL @REALDONALDTRUMP / AFP Esta captura de tela de um vídeo de oito minutos postado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em sua conta no X mostra Donald Trump fazendo uma declaração sobre os ataques dos Estados Unidos ao Irã, em 28 de fevereiro de 2026. Esta captura de tela de um vídeo de oito minutos postado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em sua conta no X mostra Donald Trump fazendo uma declaração sobre os ataques dos Estados Unidos ao Irã, em 28 de fevereiro de 2026.

Desde o primeiro ataque dos EUA para a destruição da capacidade nuclear iraniana em 2025, ficava claro que a bomba lançada contra o país persa pouco tinha a ver com sua capacidade de desenvolver uma bomba atômica. Na verdade, o programa nuclear iraniano é o pretexto utilizado pelos EUA e Israel para atacar o Irã e derrubar o regime teocrático dos Aiatolás.

Com o ataque do último sábado, este objetivo ficou evidente. Inclusive, Trump falou com todas as letras que se tratava da possiblidade de troca de regime. Com a intensificação dos bombardeios aéreos, a ideia é eliminar as lideranças do regime e, ao mesmo tempo, forçar uma ruptura interna para assumir o poder.

Trump corre contra o tempo para alcançar a sua meta. De acordo com Financial Times, os EUA teriam um arsenal de mísseis para atacar o Irã por mais ou menos duas semanas. Se neste tempo a ditadura teocrática iraniana não cair, Trump terá um dilema: ou assume a derrota e se enfraquece politica e geopoliticamente, ou dobra a aposta numa incursão terrestre.

O problema da segunda opção é justificar para a população norte americana outra guerra, quando o custo de vida é uma das principais reclamações da população e quando o déficit dos EUA está em patamares muito elevados. Para piorar, Trump quebrará sua promessa de campanha de não se envolver diretamente em conflitos no Oriente Médio.

As duas opções trazem um ônus político enorme para Trump, com potencial de gerar uma derrota republicana nas midterms em novembro para as vagas na Câmara e no Senado. Se isso acontecer, Trump passará dois anos com pouca governabilidade e defendendo o seu mandato. Os próximos 15 dias serão decisivos para o futuro político de Donald Trump.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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