IPCA-15 sobe 0,44% e preocupa

Elevação é preocupante, pois ocorre num momento em que o indicador ainda não captou as altas do petróleo, diesel e gás natural ao longo da cadeia produtiva

  • Por Alan Ghani
  • 26/03/2026 22h20
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Marcello Casal Jr/Agência Brasil Calculadora com gráficos da inflação no Brasil Alta do IPCA foi puxada por alimentos

A inflação medida pelo IPCA-15, prévia do índice oficial, registrou alta de 0,44% acima do consenso de mercado (0,29%). A alta foi puxada por alimentos (feijão, leite, ovos e carnes), além de alguns serviços (empregado doméstico e tarifas bancárias).

A elevação é preocupante, pois ocorre num momento em que o indicador ainda não captou as altas do petróleo, diesel e gás natural ao longo da cadeia produtiva. Mesmo sem captar os efeitos da guerra, a inflação de alimentos já foi elevada com alta de 0,88%.

Tudo indica que as próximas divulgações dos índices de inflação deverão sofrer a influência da elevação dos combustíveis fósseis. Na agricultura, o efeito é cristalino. Óleo diesel mais elevado significa aumento de custo para utilização de colheitadeiras e tratores para o cultivo e caminhões para distribuição de alimentos. Já a alta do gás natural impacta diretamente no preço dos fertilizantes.

Com todas essas altas, já tem gente no mercado financeiro apostando que o Banco Central deverá manter a taxa Selic em 14,75% a.a, afetando negativamente a atividade econômica.

O cenário traz preocupação também para o atual governo, que pretende subsidiar o preço do diesel a fim de vende-lo mais barato nos postos. Entretanto, o alcance da medida perante a escassez do combustível é limitado e traz problemas fiscais adicionais para as contas públicas.

Com todo este combo, é bem provável que a inflação paute o debate eleitoral com efeitos negativos para o governo de turno.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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