‘Não será dessa vez’, dizem aliados de Tarcísio sobre disputa presidencial
Em dia de visita à Bolsonaro, entorno do governador vê cada vez menos chances de Tarcísio no Planalto e esperam confirmação de cenário atual
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visita o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (29) em clima de reeleição. Pelo menos, é o que apontam os aliados do chefe do Executivo paulista e pessoas próximas aos Bolsonaro, que acreditam que os ares, na Papudinha, em Brasília, serão de “confirmação e reafirmação” do cenário atual.
“É uma pena. Seria um excelente presidente, mas não será dessa vez”, admitiu uma pessoa muito próxima de Tarcísio, pedindo anonimato. Já um membro do alto escalão do Palácio dos Bandeirantes, até então mais resistente à ideia de que o governador partiria para a reeleição, admitiu: vê apenas “uns 20% de chances” de os rumos mudarem.
Os aliados de Tarcísio, como mostrou a coluna, até então eram os mais desconfiados da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto, e acreditavam em desistência para o início de março, enquanto o Centrão, apesar de não expressar até o momento apoio a Flávio, já via a confirmação do nome do senador se desenhando.
A avaliação geral, no entanto, é que o governador de São Paulo pode ter “perdido o timing”. Nos bastidores, muito se fala que Tarcísio até almejava o cargo, mas que gostaria de um encaminhamento “natural”, sem forçar – e sem parecer traidor da família Bolsonaro. Isso teria impedido o governador de se impor como candidato e negociar com partidos efetivamente, segurando os planos.
Movimentações recentes de Tarcísio têm reforçado a ideia de que ele fica no Palácio dos Bandeirantes. É o caso da colocação de um secretário mais político à frente da Casa Civil, e da declaração à Jovem Pan Sorocaba de que não mudaria de ideia “nem se Bolsonaro pedisse”. Apesar disso, na semana passada, quando esvaziou a agenda e desistiu de visitar o ex-presidente, após se irritar com Flávio, alguns auxiliares destacaram que Tarcísio continuava fazendo movimentos presidenciáveis.
Segundo um membro da gestão Tarcísio, que ajuda a pensar as estratégias de redes sociais, desde o meio do ano passado o governador tem adotado uma espécie de “campanha indireta”, que serviria tanto para um plano de reeleição quanto presidencial – ou seja, o plano B existe, mas segue no fundo da gaveta.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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