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Patrícia Costa

Janeiro fecha com número de focos de calor duas vezes acima da média no Brasil

Dados do Inpe mostram aumento expressivo de registros de calor extremo em um mês que tradicionalmente concentra mais chuvas no país

Patricia Costa

praia ipanema rio
CALOR E PRAIAS LOTADAS NO RIO DE JANEIRO JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O mês de janeiro terminou com um sinal claro de alerta climático no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o país registrou um número de focos de calor duas vezes maior do que a média histórica para o período.  Os focos de calor são detectados por satélites e indicam áreas da superfície terrestre que atingiram temperaturas elevadas. Eles não representam necessariamente incêndios florestais, mas funcionam como um importante indicador de calor extremo, especialmente em contextos de baixa umidade, solo seco e temperaturas acima do normal. O dado chama atenção porque janeiro, em grande parte do território brasileiro, costuma ser marcado por chuvas mais frequentes. O aumento expressivo desses registros sugere uma mudança no padrão climático, com episódios de calor intenso ocorrendo mesmo em meses tradicionalmente associados a maior volume de precipitação. Especialistas apontam que esse comportamento está diretamente relacionado ao aquecimento global. O aumento da temperatura média do planeta tem ampliado a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor prolongadas. Na prática, situações que antes eram consideradas exceção passam a integrar a nova normalidade climática.

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Os impactos do calor excessivo vão além do meio ambiente. Temperaturas mais altas afetam a saúde da população, elevam o consumo de energia elétrica, pressionam os sistemas de abastecimento de água e aumentam a vulnerabilidade de áreas naturais e agrícolas. O cenário também amplia o risco de incêndios florestais nos meses seguintes, especialmente se o período seco se intensificar. O avanço dos focos de calor reforça a importância do monitoramento contínuo por satélite e de políticas públicas voltadas à prevenção. A identificação precoce dessas áreas permite respostas mais rápidas, reduz danos ambientais e ajuda a minimizar prejuízos econômicos e sociais.

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