Neymar, o mito e a realidade: ainda podemos depender dele na Seleção?
É constrangedor para uma potência como o Brasil depender tanto de um jogador que, fisicamente, já não oferece a mesma confiabilidade de antes
Neymar ainda é, sem dúvida, o maior nome da Seleção Brasileira. Pela história, pelo carisma e por um talento que poucos no mundo conseguiram igualar. No entanto, faz tempo que ele não sustenta um alto nível consistente — especialmente nos jogos de maior impacto e pressão.
É constrangedor para uma potência como o Brasil depender tanto de um jogador que, fisicamente, já não oferece a mesma confiabilidade de antes.
O futebol evoluiu. Hoje se joga de forma mais coletiva, com times fisicamente blindados, intensidade alta durante os 90 minutos e protagonismo distribuído. Neymar ainda pode decidir jogos em momentos pontuais, com sua visão, drible e faro de gol, mas não é mais o “dono do jogo” como era entre 2014 e 2018.
Uma boa parte da torcida segue torcendo pelo milagre da recuperação física e técnica. E é compreensível: quando Neymar está inspirado, ele entrega uma magia que poucos jogadores no planeta possuem.
Foi exatamente por isso, imagino, que Carlo Ancelotti apostou nele. Se ele se recuperar plenamente e brilhar na Copa, a decisão será vista como genial. Se não, reforçará a narrativa de “estrela decadente que atrapalha o planejamento coletivo”.
Curiosamente, nas últimas semanas Neymar tem cumprido outro papel: o de escudo. Toda a pressão e holofote estão sobre ele.
Quase ninguém fala do desempenho dos outros atletas, das falhas táticas ou das lacunas do elenco. A camisa 10 continuará sendo dele, caso jogue, e nenhum outro jogador sequer pleiteou publicamente a honra de vesti-la.
Isso é positivo — sinal de respeito ao ídolo e de liderança natural — ou é um gesto que, no fundo, diminui a responsabilidade de todo o elenco e até do próprio treinador?
O capítulo final dessa história está aberto: ou o mito Neymar ajuda o Brasil a conquistar o hexa, virando mais uma vez herói nacional, ou se tornará mais um capítulo doloroso de frustração e oportunidades perdidas.
Até a próxima.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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