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Política

Alckmin diz que governo terá programa de apoio para afetados pelo tarifaço dos EUA

O vice-presidente disse que o país é contra aqueles 'que sabotam o Brasil lá fora'

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O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, concede entrevista coletiva após reunião de Conselhos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil ANDRÉ RIBEIRO/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse em em reunião em Brasília nesta quinta-feira (16) que o governo vai criar um novo programa de apoio aos afetados pelo tarifaço imposto pelos EUA. “Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo Lula trabalha para apoiar aqui dentro quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Teremos um programa de apoio para quem trabalha e tiver problemas“, disse o Alckmin.

Segundo o vice-presidente, mesmo com todas as questões que envolvem o tarifaço, o Brasil bate recorde de exportações. “No ano passado, o Brasil fez US$ 347,8 bilhões, foi recorde. Este ano, só no primeiro semestre, um novo recorde: foram US$ 184,8 bilhões”.

“O Brasil abriu novos mercados e diversificou. Com o empenho do Lula, fizemos o acordo Mercosul, Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Mercosul-União Europeia. O Brasil defende o livre mercado com regras da Organização Mundial de Saúde (OMS) e multirateralismo”, explicou Alckmin.

Em relação à lei da reciprocidade, ele afirmou que ela está à disposição do governo para ser usada. “Temos uma lei, reciprocidade, que foi aprovada por unanimidade no Congresos Nacional e que o governo, no momento adequado, vai aplicar”, finaliza.

Tarifa de 25%

Na madrugada desta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileirosEntretanto, foram excluídos da lista o etanol, a carne bovina e o café.

A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301. Em conversa por telefone com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.

Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:

  • Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
  • Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
  • Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
  • Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
  • Falhas no combate à corrupção;
  • Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.

Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.

O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.