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Zema diz que Selic ideal para o Brasil seria de 6%, atualmente em 14%

Em sabatina na Jovem Pan, candidato do Novo defendeu responsabilidade fiscal e afirmou que presidente pode influenciar as expectativas do mercado em relação aos juros

Nícolas Robert

Candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema (MG)
Candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema (MG) Reprodução / Jovem Pan News

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou nesta quinta-feira (3), durante sabatina da Jovem Pan, que considera 6% o patamar ideal para a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14% ao ano.

Após ser questionado novamente se esse seria o patamar que defenderia como candidato, o ex-governador de Minas Gerais confirmou e afirmou que o presidente da República pode influenciar as expectativas do mercado, embora não tenha poder para determinar a taxa.

“É. Vocês lembram do teto de gastos? Há uns 10 anos atrás, nós tivemos uma queda acentuada. Não é o presidente que determina a Selic, mas ele sinaliza”Romeu Zema

O candidato defendeu a escolha de um nome de perfil ortodoxo e especialista em economia austríaca para integrar a área econômica de um eventual governo. Segundo ele, a prioridade seria adotar uma política de responsabilidade fiscal.

“Na área econômica, eu quero alguém que seja ortodoxo, que seja especialista em economia austríaca, que você conhece muito bem, para levar para o governo responsabilidade fiscal. É isso que faz um país desenvolver, ter responsabilidade com as contas públicas, e não essa gastança que está matando as famílias brasileiras”, afirmou.

A Escola Austríaca de Economia é uma linha de pensamento econômico que defende menor intervenção do Estado na economia, maior liberdade para empresas e indivíduos e responsabilidade nas contas públicas. Essa visão valoriza o funcionamento dos mercados, a propriedade privada e a formação de preços pela oferta e pela demanda.

O governador associou o endividamento das famílias ao atual patamar dos juros e argumentou que o impacto é especialmente elevado porque parte significativa das compras de maior valor é feita por meio de financiamento.

“O maior endividamento da história, 82% das famílias endividadas. E o motivo, eu que venho da economia real, sei muito bem. É porque todo brasileiro, praticamente na hora de comprar qualquer bem de maior valor, um celular, uma moto, um carro, faz isso financiado. E juros no patamar que está hoje, significa uma sangria desatada de renda. E está aí. as famílias asfixiadas financeiramente”Romeu Zema

Zema argumentou que a condução das contas públicas e as expectativas em relação a um governo influenciam a percepção dos investidores. Para sustentar a avaliação, citou o comportamento das ações de empresas estatais mineiras após sua eleição para o governo de MG, em 2018.

“Quero contar aqui o que aconteceu quando eu fui… eleito em 2018. No dia seguinte à minha eleição, as ações das empresas estatais mineiras, antes de eu assumir, só por eu ter sido eleito, já tinham valorizado 30%. E durante o meu governo, valorizaram 300%. Gestão responsável sinaliza para o mercado e o mercado precifica”, disse.

Críticas ao governo Lula

O candidato também criticou o governo do presidente Lula (PT) e relacionou a política fiscal ao custo do crédito.

“Agora, um governo que não combate a corrupção, como está aí o Lula, que só gasta, o que o mercado vai precificar? Irresponsabilidade”Romeu Zema

Zema acrescentou que uma Selic de 14% significa taxas ainda maiores para empresas e consumidores que recorrem ao crédito.

“Mas dinheiro para quem é ótimo pagador, talvez consiga 20%. Para empresas de primeira linha. As outras vão pagar 25%, 30% e a pessoa física muito mais”, concluiu.

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