Em sabatina da Jovem Pan, Renan Santos erra ao falar sobre cotas e Previdência
Durante sabatina no Jornal da Manhã nesta terça-feira (8), o candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, apresentou informações corretas ao falar sobre segurança pública, envelhecimento do eleitorado e relações comerciais do Brasil, mas também cometeu erros ao citar dados sobre políticas de cotas, Previdência e composição da Câmara dos Deputados.
A conferência das afirmações identificou três declarações com informações incorretas.
Um dos erros ocorreu quando Renan criticou a política de cotas e relacionou sua implementação à evolução da desigualdade racial no Brasil.
“O máximo que o Brasil teve em termos de igualdade racial na série histórica, ou seja, diferença de renda e salário entre pessoas de etnias diferentes do Brasil, foi em 2010. As cotas no Brasil começaram em 2011 e a desigualdade racial aumentou”, afirmou.
As cotas no ensino superior brasileiro não começaram em 2011. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi pioneira na adoção da política. O primeiro vestibular com participação de candidatos pelo sistema de cotas ocorreu em 2002, para ingresso em 2003. A lei que estabeleceu reserva de vagas nas universidades e institutos federais, por sua vez, foi sancionada em 2012.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também não mostram a piora apontada pelo candidato no período imediatamente posterior a 2010. Em 2010, trabalhadores pretos recebiam, em média, 50% do rendimento dos trabalhadores brancos; em 2011, a proporção aumentou para 52,3%. Entre pardos, passou de 53,7% para 54,7% no mesmo período, indicando redução da diferença relativa de rendimentos.
Aposentadorias e salário mínimo
Outro erro ocorreu quando Renan defendeu a desvinculação entre o salário mínimo e benefícios como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“Nenhum país no mundo sério, nenhum país que está na OCDE faz isso. Só o Brasil faz isso. Talvez a Colômbia faça”, afirmou.
A afirmação é incorreta. A própria Colômbia citada pelo candidato integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Além disso, a organização registra que, pela Constituição colombiana, as aposentadorias contributivas não podem ser inferiores a um salário mínimo.
Portanto, não é correto afirmar que nenhum país da OCDE mantém esse tipo de vinculação.
Câmara dos Deputados
Renan também errou o número de integrantes da Câmara ao explicar como seria sua relação com o Congresso em um eventual governo.
“Vamos precisar dos mais diversos, nós temos 503 deputados, precisaremos governar com eles”, declarou.
A Câmara dos Deputados possui 513 parlamentares. O número permanece em 513 cadeiras para a legislatura que será escolhida nas eleições de 2026, segundo a própria Câmara.
Mais adiante na sabatina, o próprio candidato passou a citar corretamente os 513 deputados.
Informações corretas
Em outras afirmações feitas durante a entrevista, Renan apresentou números compatíveis com os dados disponíveis.
Ao falar sobre segurança pública, o candidato disse que o Brasil registra pelo menos 100 pessoas assassinadas por dia.
“Todo dia pelo menos 100 pessoas morrem assassinadas aqui. […] São baixas de guerra que a gente tem aqui”, afirmou.
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contabilizou 42.590 homicídios em 2024, média de aproximadamente 117 por dia.
Renan também estava correto ao apontar o envelhecimento do eleitorado brasileiro. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os eleitores com 60 anos ou mais passaram de 21,02% do eleitorado em 2022 para 23,60% em 2026. Já a participação das pessoas de 21 a 34 anos caiu de 28,01% para 25,85%.
Na área internacional, o candidato afirmou que o Brasil possui forte dependência comercial da China. O país asiático permanece como principal parceiro comercial brasileiro. Em 2025, recebeu 28,7% das exportações brasileiras e respondeu por 25,3% das importações, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O candidato também acertou ao afirmar que a Constituição precisaria ser alterada para permitir ao Brasil desenvolver armas nucleares.
Durante a discussão sobre sua defesa de que o país tenha capacidade nuclear militar no futuro, Renan afirmou que seria necessário mudar a Constituição.
O artigo 21 da Constituição Federal determina que toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional.
Durante a sabatina, Renan Santos utilizou os indicadores principalmente para defender propostas de reforma institucional, redução de gastos públicos, mudanças na segurança pública, desenvolvimento tecnológico e uma política externa voltada à ampliação da capacidade econômica e militar brasileira.
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