Quem é Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro nas eleições à Presidência
Antes de chegar à política eleitoral, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto passou mais de duas décadas no Ministério Público de Alagoas. Promotor de Justiça, procurador-geral e secretário estadual de Segurança Pública, o atual deputado federal construiu a maior parte da carreira ligado ao combate ao crime organizado e à área de segurança. Em 2026, aos 56 anos, disputa seu primeiro cargo nacional como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Nascido em Maceió, em 13 de agosto de 1970, Gaspar é formado em Direito e possui pós-graduação em Direito Público. Trabalhou inicialmente como advogado e professor universitário antes de ingressar, em 1996, no Ministério Público de Alagoas, onde permaneceria até 2020.
Ao longo de 24 anos como promotor, atuou em comarcas do interior e da capital e passou por promotorias especializadas na área criminal. Entre 2009 e 2011 e, novamente, entre 2013 e 2015, presidiu o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), estrutura do Ministério Público alagoano dedicada ao enfrentamento do crime organizado.
A experiência abriu caminho para sua passagem pelo Executivo estadual. Em 2015, durante o primeiro governo de Renan Filho (MDB), Gaspar assumiu a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas. Deixou o posto no ano seguinte e, em 2017, chegou ao comando do Ministério Público estadual como procurador-geral de Justiça, função que exerceu até 2020.
Entrada na política
Foi somente em 2020, depois de deixar o Ministério Público, que Alfredo Gaspar disputou uma eleição pela primeira vez. Filiado ao MDB, lançou-se candidato à Prefeitura de Maceió e terminou o primeiro turno na liderança, com 110.234 votos, ou 28,87% dos válidos, contra 28,56% de JHC, então no PSB.
No segundo turno, porém, o resultado se inverteu. JHC foi eleito prefeito com 222.147 votos, ou 58,64% dos válidos. Gaspar recebeu 156.704 votos, equivalentes a 41,36%.
A derrota não encerrou sua passagem pela política. Gaspar voltou a comandar a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas entre 2021 e 2022 e, naquele ano, concorreu pela primeira vez à Câmara dos Deputados, agora pelo União Brasil.
Foi eleito deputado federal com 102.039 votos, a segunda maior votação para o cargo em Alagoas, atrás apenas de Arthur Lira (PP). Gaspar recebeu 6,17% dos votos válidos para deputado federal no estado e tomou posse em fevereiro de 2023.
Projeção nacional
No Congresso, Gaspar manteve a segurança pública como uma das principais áreas de atuação. Passou por comissões como a de Constituição e Justiça e de Cidadania e a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, além da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.
A projeção para além de Alagoas cresceu com as investigações parlamentares sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Gaspar assumiu papel de destaque na comissão que investigou o esquema e passou a aparecer com frequência no noticiário nacional, principalmente em embates envolvendo integrantes e aliados do governo Lula.
A investigação acabaria se tornando também um elemento da campanha presidencial de 2026. O caso foi incorporado ao discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro, que utiliza as fraudes no INSS para atacar o governo federal e colocou o tema entre os pontos explorados em seu programa eleitoral.
Nesse período, Gaspar também completou uma mudança política iniciada anos antes. O homem que havia disputado sua primeira eleição pelo MDB e ocupado cargos durante o governo de Renan Filho aproximou-se do campo bolsonarista. Eleito deputado pelo União Brasil em 2022, filiou-se ao PL em 2026, mesmo partido de Jair e Flávio Bolsonaro.
Escolhido para vice
Em 5 de agosto, Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. A definição ocorreu depois de negociações para atrair outros partidos para a chapa e resultou em uma composição formada integralmente pelo PL.
A escolha colocou um político até então concentrado principalmente em Alagoas em uma campanha nacional. Gaspar também abandonou os planos de disputar uma vaga no Senado pelo estado para integrar a chapa presidencial, movimento que alterou a própria configuração da eleição alagoana.
Na campanha, sua trajetória no Ministério Público e na segurança pública complementa um dos principais eixos explorados por Flávio Bolsonaro, que apresenta propostas de endurecimento da legislação penal e de combate ao crime organizado. Gaspar também oferece à chapa uma biografia política diferente da do candidato a presidente: enquanto Flávio iniciou a carreira eleitoral aos 21 anos e cresceu politicamente ao lado do pai, Alfredo Gaspar chegou às urnas apenas aos 50, depois de 24 anos no Ministério Público.
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