Ex-chefe de gabinete de Lula pede para deixar campanha após investigação da PF
O ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, pediu para deixar a equipe da campanha presidencial após ter o nome citado em uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de tráfico de influência no governo. A informação foi confirmada à Jovem Pan depois de o ex-integrante do governo admitir ter recebido um pagamento da lobista Roberta Luchsinger, que é investigada no caso.
Em nota divulgada à imprensa, Marco Aurélio afirmou que o valor recebido correspondeu a um “empréstimo pessoal contraído e já quitado”. Conhecido como Marcola, ele deixou o cargo de chefe de gabinete da Presidência no último dia 21 de julho para integrar a campanha de Lula.
A transação entre Marco Aurélio e Roberta Luchsinger foi mencionada pela PF no pedido de abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Segundo a corporação, uma das hipóteses investigadas é se o pagamento poderia ter sido utilizado para facilitar o acesso da lobista a integrantes do governo federal.
“Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, disse Marco Aurélio na nota. Ele disse ter recebido “com surpresa” a divulgação da informação e reiterou que o empréstimo foi quitado.
As investigações também apontam que Roberta Luchsinger atuou em parceria com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para buscar oportunidades de negócios junto ao governo federal. De acordo com mensagens reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, os dois discutiam estratégias para “abrir portas” em órgãos públicos.
A PF investiga se essas ações tiveram apoio de Lulinha, que, segundo a apuração, viajou a Portugal com despesas pagas por Careca do INSS para conhecer um projeto relacionado à cannabis medicinal.
Ainda conforme as investigações, Roberta Luchsinger esteve mais de 40 vezes em órgãos do governo federal entre 2023 e 2025 sem que suas visitas constassem nas agendas oficiais das autoridades. Os registros incluem entradas na então Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Alexandre Padilha em 2023, e no Ministério da Saúde, algumas delas acompanhada de Antônio Camilo Antunes.
Até o momento, a PF pediu a abertura de dois inquéritos relacionados às suspeitas de tráfico de influência. Um deles trata de possíveis atuações no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto, enquanto o outro investiga negócios envolvendo a Dataprev.
Os casos foram distribuídos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Um terceiro pedido de investigação, relacionado a outra frente de atuação no governo, foi encaminhado ao ministro Flávio Dino. Ainda não houve decisão sobre a abertura dos inquéritos.
Após a divulgação do caso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre os repasses feitos por Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro. Ele questionou a origem dos recursos e a finalidade do pagamento, fazendo referência às investigações sobre fraudes no INSS.
“As autoridades agora precisam fazer algumas perguntas. A mais importante e óbvia: por que ele recebeu esses milhares de reais? De onde vem o dinheiro? É dinheiro do aposentado”Flávio Bolsonaro em referência à investigação sobre a fraude no INSS
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