Mendonça tira sigilo de investigação contra Jaques Wagner
O ministro do Supremo Tribunal Federal (ST), André Mendonça, quebrou o sigilo e tornou público nesta quinta-feira (30), as invesgitações contra Jaques Wagner (PT-BA). No documento, tem mensagens interceptadas do senador com o banqueiro e ex-sócio do Banco Madter, Augusto Lima e a esposa Flávia.
Segundo investigação da PF, o senador mantém longo e duradouro relacionamento com Augusto Lima e foi beneficiado financeiramente, tendo direito a uso de tpitulo gratuito de aeronaves pertencentes aos donos dos Master, recebimento de ingresso para shows com valores superiores aos sesseta mil reais. A relação dele remonta a meados dos anos de 2019, quando o empresário teria tratado com o senador da República, à época Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, sobre a privatização da Editora Brasil-América Limitada (EBAL).
A relação de proximidade com o banqueiro e ex-sócio do Banco Maste já tinha sido confirmada pela senador. Na época, em se considerou amigo dele. Entretanto, o parlamentar negou que o vínculo tenha qualquer relação com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master e afirmou que governadores e prefeitos mantêm contato frequente com empresários.
“Conheci Augusto Lima no processo de privatização [da Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Ele se considera meu amigo. […] A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, disse.
Amigo não, mas criou um relacionamento. Ele se considera meu amigo. Ele sempre olhou pra mim: ‘Pô, você é minha referência’ etc.
Em uma das mensagens, datada de 11 de outubro de 2023, Wagner encaminhou mensagem de áudio a Augusto Lima informando que ele e sua esposa aceitariam convite para uma viagem para Ilha da Paixão e ficarem em um imóvel pertencente ao banqueiro.
Jaques Wagner foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento, no dia 7 de agosto, no inquérito que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. O senado, ex-líder do governo Lula no Senado, foi alvo de operação da Polícia Federal (PF). A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.
Saída da liderança do governo no Senado
A decisão de deixar a liderança do governo ocorreu após reunião com Lula na quarta-feira. Jaques relatou que o presidente o questionou se teria condições de conciliar a defesa jurídica com a rotina do Senado. O parlamentar decidiu se afastar para focar em provar sua inocência e na articulação política para as eleições de 2026 na Bahia.
“Ele (Lula) disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, disse Jaques.
Compliance Zero
A Operação Compliance Zero é uma investigação da PF que busca esclarecer suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso veio à tona no fim de 2025, após indícios de que a instituição teria comercializado produtos financeiros sem garantias compatíveis com o volume captado, oferecendo retornos considerados atípicos para atrair investidores. Na primeira etapa da operação, Vorcaro foi detido, e os investigadores apontaram que as perdas potenciais associadas ao esquema poderiam alcançar a casa dos R$ 12 bilhões.
Desde então, a apuração ganhou novas frentes e passou a examinar possíveis práticas de lavagem de dinheiro, ocultação de ativos, obtenção e uso indevido de informações sigilosas, além de suspeitas de pressão contra adversários e eventuais atos de corrupção. Outro foco das investigações envolve operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), incluindo aportes bilionários e a destinação de recursos que teriam beneficiado agentes públicos.
Com o avanço das diligências, a Polícia Federal ampliou o alcance da operação para pessoas próximas ao empresário e autoridades com suposta ligação aos fatos investigados. Entre os nomes citados estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é alvo de apurações sobre possíveis pagamentos relacionados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mencionado em investigações sobre a aplicação de recursos do Rioprevidência em fundos associados ao grupo financeiro.
Assuntos
continue lendo
Política
Mendonça manda PF investigar novos vazamentos sobre Lulinha após matéria de revista
Ministro do STF determinou que investigação já em andamento também apure a origem de informações sigilosas divulgadas em reportagens
- À sombra do pai: quem é Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência Marcelo Bamonte · há 20 minutos
- Quem é Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro nas eleições à Presidência Marcelo Bamonte · há 20 minutos
- O que é a segunda tela e como a internet transformou os debates eleitorais da TV Jovem Pan · há 1 hora
- Renan agressivo, Caiado ponderado, ‘Cury péssimo’: quem venceu o debate? Jovem Pan · há 8 horas