Moraes se declara impedido em ação que envolve esposa, Vorcaro e filho de Lula
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou impedido nesta segunda-feira (21) de atuar no processo que pede ao Senado registros de entrada e saída de pessoas das dependências da Casa. Entre os nomes incluídos no pedido estão a própria esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moraes havia sido sorteado relator do caso na sexta-feira (18). No novo despacho, o ministro afirmou: “Com fundamento no art. 144, IV, do CPC, declaro-me impedido de atuar no presente feito”. Na sequência, determinou que os autos sejam encaminhados à Presidência do STF para redistribuição.
O artigo citado por Moraes prevê o impedimento do juiz quando ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parentes até o terceiro grau, forem parte no processo. O ministro não apresentou outras explicações no despacho sobre o impedimento.
Entenda o caso
A ação foi apresentada pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo). Ele fez três pedidos de acesso à informação ao Senado, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), nos dias 4 e 5 de fevereiro de 2026.
O objetivo era conseguir os registros de entrada e saída de oito pessoas no Senado, desde 1º de fevereiro de 2019 até a data dos pedidos. A lista inclui políticos, empresários e outras pessoas ligadas ao meio político.
Além de Viviane Barci de Moraes e Vorcaro, o pedido do vereador cita Felipe Macedo Gomes; Anderson Cordeiro de Vasconcelos; Américo Monte Junior; José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico; Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS; e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
Pedidos foram negados pelo Senado
Os pedidos foram negados pelo Senado em 11 e 13 de fevereiro. A justificativa apresentada foi que os registros de acesso às dependências da Casa seriam informações pessoais e, por isso, teriam acesso restrito com base no Decreto nº 7.724/2012 e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Na ação, Guilherme Kilter contesta esse entendimento. A defesa afirma que registros de entrada e saída em prédios públicos têm caráter de interesse coletivo e cita entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU) segundo o qual esses dados podem ser públicos, salvo quando houver uma hipótese legal de sigilo.
“Ocorre que o registro de acesso às dependências do Senado constitui fato da vida pública, politicamente relevante e de interesse coletivo, razão pela qual deve ser submetido à coletividade pela via da transparência, de modo a viabilizar o controle social”, afirma o vereador na ação.
A ação foi apresentada inicialmente na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, em abril. Porém, como o caso também envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o processo foi levado ao STF na quinta-feira (17) e distribuído a Moraes na sexta-feira (18). Com a declaração de impedimento, um novo relator deverá ser definido pela Corte.
Assuntos
continue lendo
Política
Zanin vai relatar novo pedido do PSD por segundo turno no Rio
Douglas Ruas foi declarado eleito no primeiro turno após anulação dos votos obtidos pelo candidato Anthony Garotinho
- Lula volta a negar ‘qualquer conexão’ com Roberta Luchsinger Estadão Conteúdo · há 20 minutos
- Erika Hilton protocola pedido para abrir CPI das big techs Estadão Conteúdo · há 41 minutos
- Luchsinger nega crime, mas diz que fará delação premiada: ‘Lula é mentiroso’ Júlia Mano · há 1 hora
- Grupo de Lula aciona ONU contra Meta por suposto privilégio a Flávio nas redes Jovem Pan · há 4 horas