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Política

O alerta ligado na campanha do PT contra a ‘Zambelli da esquerda’

Deputada eleita por MG, Ana Elisa foi comparada com ex-deputada bolsonarista após vazamento de publicações antigas nas redes sociais

João Vitor Revedilho

Ana Elisa, deputada do PT
Ana Elisa, deputada do PT Reprodução / Redes Sociais

A campanha do presidente Lula (PT) acendeu o sinal de alerta após posts antigos da deputada estadual eleita por Minas Gerais Ana Elisa vazar nas redes sociais. A crise chegou na alta cúpula da campanha, que fez Ana excluir a própria conta no X na noite de quinta-feira (8).

Nas redes sociais, bolsonaristas passaram a publicar posts de 2022 e 2023 em que Ana Elisa defende o fechamento de igrejas e pede para “queimar a bancada evangeliza e o PL”. Em outra publicação, a deputada eleita defendeu que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueasse o WhatsApp e outras big techs.

Não demorou muito para que bolsonaristas passassem a acusar Lula de tentar fechar igrejas evangélicas após o vazamento das publicações. O petista, inclusive, já foi alvo de acusações iguais quando já ocupava a cadeira do Palácio do Planalto. Lula nega qualquer possibilidade de fechar igrejas caso seja reeleito.

A Jovem Pan apurou que os grupos internos do PT ficaram empolvorosos com a crise instalada internamente. Nomeado coordenador-geral da campanha ao lado de Edinho Silva, Camilo Santana precisou ser acionado para assumir as rédeas e pediu para que Ana Elisa excluísse a conta dela no X. O pedido foi atendido e a conta excluída por volta das 22h.

Mesmo assim, a parlamentar foi alvo de críticas internas. No grupo de redes do PT, Ana Elisa foi comparada com Carla Zambelli, ex-deputada federal que apontou uma arma para um cidadão no meio do bairro Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

“Essa é a Zambelli nossa”, disse um membro do grupo.

Ana Elisa foi a deputada estadual mais jovem a ser eleita em Minas Gerais. Aos 21 anos, ela é uma das principais apostas do partido para engajar nas redes sociais. A parlamentar é aliada da primeira-dama Janja da Silva, que também tem sofrido críticas internas por interferências na campanha de Lula.

A Jovem Pan tenta desde a noite de quinta-feira localizar Ana Elisa para comentar as publicações, mas até o momento não obteve retorno. Assim que conseguir, essa reportagem será atualizada.

Outro lado

Na quinta-feira (8), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou a seus milhões de seguidores um suposto tweet de Ana Elisa, de outubro de 2022, defendendo o fechamento de igrejas. O tweet é falso. Ana nunca o escreveu, ele não existe no histórico de sua conta, e ela jamais defendeu o fechamento de igreja alguma. Pediremos a perícia que comprovará a montagem.

A data não é acaso: em 2022, Ana tinha 17 anos. Forjaram uma mensagem, atribuíram a uma adolescente e a usaram contra uma mulher eleita.

Nikolas conhece bem essa mentira. Em 2022, o TSE, por unanimidade, o obrigou a publicar direito de resposta a Lula por um vídeo que associava o petista ao fechamento de templos. No texto que publicou, o próprio deputado admitiu ser “completamente falsa” essa afirmação. Agora recicla a farsa contra Ana.

Divulgar fato sabidamente inverídico na eleição é crime (art. 323 do Código Eleitoral). Atacar mulheres na política por sua condição de mulher e por sua cor é violência política de gênero e raça (art. 326-B). A equipe de Ana acionará a Justiça Eleitoral e o Ministério Público contra o deputado e contra todos que disseminaram o conteúdo falso.

Desde então, a rede bolsonarista que orbita o deputado espalha montagens, racismo e ameaças de estupro e de morte contra Ana, ataques que se intensificaram desde que ela passou a se dedicar à campanha de Lula. Cada autor será identificado e responsabilizado.

Posts antigos e autênticos também foram tirados de contexto. A maioria é de quando Ana tinha 17 anos. A Constituição (art. 227) e o ECA (arts. 17 e 18) protegem a dignidade, a imagem e as ideias de adolescentes e jovens. Usar o que alguém disse aos 17 anos como arma eleitoral afronta essa proteção. Ana assume o que escreveu, retrata-se e pede desculpas a quem se sentiu ofendido, mas é importante que se diga: aos 21, já não pensa como antes. É católica praticante e defende a liberdade religiosa, o Estado laico e a democracia.

Às mulheres negras se nega o direito de errar, a juventude e a própria humanidade. Ana reivindica os três.

Para se proteger das graves ameaças, Ana desativou temporariamente seu perfil no X. A campanha por Lula segue em todas as demais redes.

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