Constantino: Artistas que pedem saída de Salles são hipócritas e tratam povo indígena como mascote

Movimentações pedindo saída do ministro do Meio Ambiente foram debatidas por comentaristas do programa ‘3 em 1’ desta quarta-feira, 21

  • Por Jovem Pan
  • 21/04/2021 17h48 - Atualizado em 21/04/2021 18h20
BRUNO ESCOLASTICO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 15/12/2020 Artistas endossaram pedidos de saída do ministro

Em reunião virtual nesta terça-feira, 20, com o presidente Jair Bolsonaro, ministros e empresários cobraram do governo uma agenda para o meio ambiente. Às vésperas do início da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e marcada para ser iniciada nesta quinta-feira, 22, Bolsonaro foi alertado de que o tema é visto com preocupação pelo setor. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, no evento, promovido pelo presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que é preciso desenvolver economicamente a região amazônica e defendeu o pagamento pelos créditos de carbono. Salles também apresentou um programa de concessões de parques e falou sobre o saneamento básico. Ainda na terça-feira, artistas internacionais e nacionais, como o músico Gilberto Gil e o ator Leonardo de Caprio, divulgaram uma carta pedindo que Biden não aceite nenhum acordo ambiental proposto por Bolsonaro. A ação das celebridades, no entanto, foi minimizada pelo vice-presidente Hamilton Mourão: “Biden não vai ler esta carta. Isso é perda de tempo. O governo tem procurado fazer o trabalho dele e estamos com redução do desmatamento”, afirmou.

No twitter, o ministro Ricardo Salles também criticou o posicionamento dos artistas: “Primeiro diziam que não haveria diálogo, depois ficaram bravos com o diálogo. Agora querem melar qualquer acordo sobre a Amazônia. A questão é puramente política, realmente”, pontuou. O ministro é alvo de uma campanha nas redes sociais pelo seu afastamento. Ironizando o protesto, o próprio Salles postou uma convocação na própria conta no Twitter. Ele também chegou a discutir com a cantora Anitta, a chamando de “teletubbie”. Em defesa do ministro, usuários da rede social também subiram a hashtag “Fica Salles”. Na última semana, Bolsonaro enviou carta a Biden prometendo zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e pedindo apoio aos Estados Unidos para atingir a meta. As polêmicas envolvendo a área do meio ambiente foram temas de comentários entre os participantes do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 21.

Para Rodrigo Constantino, não é possível classificar a troca de mensagens entre Salles e Anitta como uma discussão, e sim como uma ridicularização com razão por parte do ministro. Ele acredita que a cúpula do clima é algo criado para “inglês ver” e tem como foco apenas a imagem, como um jogo de aparências internacionais. “Na prática, os países que arrotam tanto preocupação sobre proteção do clima são os que menos cumprem as suas próprias normas e regras. É sempre importante lembrar que o Brasil emite 3% do total legal e menos da metade disso é ilegal, então nós estamos discutindo 1,2% das emissões globais”, recorda, pontuando que há “muita hipocrisia” em jogo. Constantino afirma que o desenvolvimento econômico é uma forma alternativa ao desmatamento na região e diz que as manifestações dos artistas não merecem nem ser comentadas. “São hipócritas, na melhor das hipóteses, românticos que leram, se é que leram, Jean-Jacques Rousseau e acreditaram no mito do bom selvagem e tratam do povo indígena da Amazônia como seus mascotes. É tudo uma questão de acalentar os seus corações e parecer que são pessoas moralmente decentes, preocupadas com o mundo, com o planeta e com as minorias”, afirma. Para ele, é necessário avaliar se a reação contra Salles vem de um “super poder” de desmatar a Amazônia ou do fechamento de renda para ONGs.

Para Jorge Serrão, é necessário que o ambientalismo seja analisado sob dois aspectos: a utilização dele como narrativa transnacional para manter o país artificialmente na miséria, já que há interesse na Amazônia para o capital de outros países, e a baixa capacidade do Brasil em instaurar políticas públicas na área de meio ambiente. “Quando se faz um discurso contra a Amazônia, é preciso muito cuidado para avaliar se aquilo é verdadeiro ou não”, opinou. A jornalista Amanda Klein acredita que a resposta a Bolsonaro vai depender de como ele será recebido na cúpula internacional. Ela lembrou que a imagem atual do meio ambiente do Brasil diante do mundo não vem apenas na carta dos artistas, mas também de um apelo enviado por 24 governadores pedindo uma articulação direta com os EUA e de outro documento assinado por economistas e ex-ministros do Meio Ambiente alertando para o aumento do desmatamento e o enfraquecimento de órgãos de controle de fiscalização. Ela também lembra de dados de desmatamento e de exonerações recentes feitas no país como fatos que mostram que o Brasil hoje tem uma “política de destruição” do meio ambiente. “Isso não parou. De 2005 a 2012 a gente teve uma redução do desmatamento no Brasil. Isso começou a aumentar a partir de 2012, mas nos primeiros dois anos do governo Bolsonaro, e pelo visto no terceiro também, nós tivemos uma aceleração disso”, afirmou.

Confira o programa “3 em 1” desta quarta-feira, 21, na íntegra: