Randolfe chama vídeo de ‘festival de horrores’ e critica recusa de Bolsonaro em entregar celular

  • Por Jovem Pan
  • 23/05/2020 08h49
Roque de Sá/Agência Senado

Em entrevista ao Jornal da Manhã neste sábado (23), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, classificou o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgado nesta sexta-feira (22) após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, como um “festival de horrores”. O material faz parte do inquérito que investiga suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

“Esse vídeo fortalece não somente o processo de impeachment do presidente que está em curso na Câmara, mas sobretudo a formação de culpa no inquérito no Supremo. Não resta dúvida, pela revelação do vídeo. Em um momento, o presidente diz que quer ter informações da Polícia Federal. Ora, ele não precisa ter essas informações, a PF não é a polícia dele. Em outro momento, diz que tem seu próprio instrumento de investigação. Resta saber qual é. Uma espécie de Abin paralela? Em mais um momento, fala que ‘se tiver que interferir na Segurança do Rio’, o fará para proteger seus familiares’. Fica patente que se trata da Superintendência da PF”, declarou Randolfe.

“É um festival de horrores. O ministro do Meio Ambiente fala em aproveitar a preocupação de todos com a pandemia para aprovar desregulação de legislação ambiental. A ministra dos Direitos Humanos fala em prender governadores e prefeitos. O ministro da Educação fala em prender membros do STF. O presidente fala em armas para todos. Só ditadores se pronunciam dessa forma. O vídeo mostra como funciona entranhas do governo.”

Também como parte do inquérito, Celso de Mello enviou três notícias-crimes à Procuradoria-geral da República (PGR) que pedem desdobramentos das investigações. As medidas solicitadas incluem o depoimento de Bolsonaro e a apreensão do celular dele e do filho, o vereador Carlos Bolsonaro, para perícia.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan nesta sexta, no entanto, Bolsonaro disse que recusa a entregar o aparelho. “Só se o presidente da República for um rato para entregar o telefone. Jamais entregaria um celular numa situação dessa.”

Para Randolfe, a postura do presidente é “ofensiva ao Estado democrático de direito”. “É importante entendermos que [o pedido] é um mero ato administrativo do ministro Celso de Mello no âmbito do inquérito. Um procedimento normal. Não um despacho judicial. As respostas são ofensivas ao Estado democrático de direito. Ofensivas aos Poderes. O general Augusto Heleno [ ministro do GSI] fala como se estivesse em 1964. Intranquiliza a nação. Nem as Forças Armadas dão atenção aos absurdos que ele fala. Mais ofensiva é a reação do próprio presidente. Deveria ser ‘decisão judicial se cumpre, mas é um absurdo pedir o celular do presidente’. Até aí, eu concordaria.”