Por que o tradicional pãozinho brasileiro carrega o nome de francês?

Mesmo com a diversificação do mix de produtos nas padarias, o pão continua com lugar garantido na mesa das famílias; entenda qual a relação entre a iguaria e o país europeu

  • Por Lívia Zanolini
  • 16/10/2021 10h30
Pixabay / manfredrichterPara manter a qualidade e a boa reputação do pão francês, a ABNT criou uma norma de padronização do produto, em 2013, que serve de referência para fabricantes de todo o país

A cada ano que passa, os brasileiros consomem mais pão francês. Em 2020, mesmo diante da crise econômica agravada pela pandemia do coronavírus, foram vendidos quase dois milhões de toneladas do alimento em todo o país, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria. No ano anterior, o volume foi 2% menor. Na cidade de São Paulo, onde está concentrado o maior número de padarias, o consumo, no período, passou de 18 milhões para 20 milhões de unidades ao dia. E, mesmo com a diversificação do mix de produtos no setor, o tradicional pãozinho continua com lugar garantido na mesa do brasileiro. Sozinho, é responsável por 34% das vendas nacionais de panificados. Embora tenha denominações diferentes conforme a região, como o pão de sal, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o cacetinho, no Rio Grande do Sul, o carioquinha, no Ceará, e o pão Jacó, no Sergipe, a iguaria sempre vai ser reconhecida como “pão francês” em qualquer lugar do país.

Mas sabia que, da França, o pãozinho não tem nada? Aliás, justiça seja feita, a inspiração veio de lá. Já a receita é totalmente brasileira! E, segundo estudiosos da culinária nacional, teria sido criada no século 20. Época em que os brasileiros mais abastados voltavam de suas viagens pela Europa, especialmente a França, e pediam para que as cozinheiras reproduzissem o pão que costumavam comer por lá – que era algo parecido com as atuais baguetes francesas. Até então, o pão brasileiro era rústico, com coloração mais escura. Com o tempo, a receita foi sendo aprimorada até ganhar a aparência de hoje: branquinho e macio por dentro e dourado e crocante por fora. Para manter a qualidade e a boa reputação, em 2013, a ABNT criou uma norma de padronização do pão francês, que serve de referência para fabricantes de todo o país. De qualquer forma, por mais delicioso que seja, o pãozinho é feito, basicamente, de farinha de trigo, água, fermento e sal. Por isso, a recomendação é consumir com moderação! Nas proporções certas, o alimento é uma ótima fonte de energia, fibras, vitaminas e minerais. E bom apetite!