Você sabe como é fabricado o café e por que a torra do grão é tão importante?

O cafezinho está entre as bebidas preferidas dos brasileiros e vai bem em qualquer momento do dia; conheça as etapas de fabricação do produto, que passa por muitas transformações até chegar ao consumidor final

  • Por Lívia Zanolini
  • 01/10/2021 15h27 - Atualizado em 01/10/2021 17h07
Pixabay / dannyphoto14Na hora de preparar o café em casa, a dica é aquecer a água, sem deixar ferver, e colocá-la sobre o pó lentamente; assim, a bebida terá maior concentração do sabor

O café está presente em praticamente todas as casas brasileiras. Avermelhado e redondinho, o café, no campo, é bem diferente do usado para preparar a bebida. Existem duas espécies principais de plantas. A Arábica, a mais cultivada em todo o mundo e com características mais suaves e adocicadas, e a Robusta, que tem mais cafeína e resulta em um produto mais forte e amargo. Até chegar ao consumidor final, o café passa por muitas transformações. Após a colheita e seleção, os grãos são levados para secagem. Em seguida, vem a torrefação, que é um dos passos mais importantes na fabricação. É nessa hora que eles são levados para uma máquina e entram em contato com o calor, até que atinjam o ponto desejado, sem perder as propriedades. O nível de torra influencia muito o sabor e pode ser classificado em três tipos. A torra clara proporciona uma bebida mais suave e aromática, com mais acidez e notas frutadas. A torra média, que é a mais usada no Brasil, explora um pouco mais da intensidade do caramelo, oferecendo mais doçura aos paladares. E, por fim, a torra escura, a tradicional torra italiana, que resulta em uma bebida ainda mais forte e um pouco mais amarga. É bastante usada no mercado mundial. Depois de torrados, os grãos finalmente são moídos.

A professora do curso de Barista do Senac de São Paulo, Concetta Marcelina De Prizio, explica que a torra ideal depende do paladar do consumidor. O que não pode acontecer é a torrefação passar do ponto. “O que vai dar cor no grão é a caramelização dos açúcares que estão presentes dentro do grão, o carboidrato, que são os açúcares. Com esse tempo de exposição do grão dentro do torrador, ele vai volatizando isso. Então, é como fazer açúcar queimado na frigideira. Se eu deixo lá, ele vai pegando aquela cor de caramelo. Se eu deixar passar do ponto, vai dar caramelo, só que um caramelo amargo. Eu perdi os açúcares. Acontece a mesma coisa no grão”. A professora orienta, ainda, que é importante ficar de olho na data de fabricação. Quanto mais fresca for a torra, melhor. Para quem não vive sem um bom cafezinho, Concetta ensina que o melhor jeito de fazer a bebida em casa é aquecer a água, sem deixar ferver, e colocá-la sobre o pó lentamente. “A regra ouro seria não perder o oxigênio da água. Deixar ela aquecer sem você ficar deixando ferver ‘n’ minutos. Não despejar [a água] tudo de uma vez. É lento… Para que ela vá absorvendo e passando lentamente sobre o grão de café e vai saindo a bebida, que é você quer, né. A bebida com a concentração de sabor”. Tá Explicado?

Gostaria de sugerir algum tema para o programa? É simples. Encaminhe a sugestão para o e-mail online@jovempan.com.br e escreva Tá Explicado no assunto. Participe!