Salles: ‘Indígenas precisam de autonomia para decidir o futuro’
Depois das polêmicas envolvendo as queimadas na Amazônia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o Brasil vai continuar no Acordo de Paris. O ministro deu a declaração em uma entrevista à agência de notícias France Press, em Paris.
A cidade é a primeira parada da viagem que Ricardo Salles faz à Europa para promover o governo brasileiro diante de investidores.
Salles afirmou que o país está cumprindo as metas estabelecidas e entregando o esperado em termos de energia renovável, emissão de poluentes, desmatamento e reflorestamento. O ministro chegou a afirmar que alguns dos países que têm criticado o Brasil pela política ambiental não têm atingido os objetivos estipulados pelo acordo.
Ricardo Salles defendeu que as mudanças climáticas devem ser tratadas com seriedade, mas questionou se elas são de fato uma emergência. Sobre as queimadas na Amazônia, o ministro alegou que, antes de tudo, é preciso entender porque existe uma pressão em favor de atividades ilegais na floresta. Para ele, as queimadas podem ser entendidas como uma decorrência da falta de desenvolvimento econômico e emprego na região.
A respeito dos indígenas, o ministro defendeu que o Governo deve fornecer estrutura e serviços melhores, mas são os índios que devem ter o direito de escolher o que querem para o futuro.
No Brasil, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que as recentes queimadas na Amazônia não afastam os investidores e que elas sempre aconteceram. “Não afastou, a gente está vendo isso a cada leilão que a gente faz. Eu morei e trabalhei seis anos na Amazônia, incêndio florestal tem todo ano.”
O ministro ressaltou ainda o papel do Governo no sentido de punir os responsáveis por queimadas ilegais.
As declarações acontecem dias depois que o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a soberania da Amazônia na Assembleia Geral da ONU frente às críticas internacionais.
*Com informações do repórter Renan Porto
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