Papa não aceita demissão de cardeal francês que escondia casos de abuso
O papa Francisco não aceitou a demissão do cardeal Philippe Barbarin, condenado na França por encobrir um sacerdote de Lyon que abusava sexualmente de menores, e decidiu que, de todo modo, o religioso ficará temporariamente afastado da sua diocese.
“Entreguei minha demissão ao Santo Padre. Invocando a presunção de inocência, ele não quis aceitá-la”, indicou Barbarin em comunicado divulgado, nesta terça-feira (19), pela sua diocese.
Apesar disso, acrescentou: “Ele me deu a liberdade de tomar a decisão que me parecesse melhor para a vida da diocese de Lyon. Por sua sugestão e porque a Igreja de Lyon sofre há três anos, decidi me retirar por um tempo”.
O cardeal, de 68 anos e à frente da arquidiocese mais tradicional do país há 17, se sentou no banco dos réus em janeiro ao lado de outros religiosos acusados de não terem denunciado os abusos cometidos contra menores pelo padre Bernard Preynat durante 25 anos.
Condenado a seis meses de prisão isentos de cumprimento de pena e a pagar uma indenização simbólica de um euro a oito das vítimas de Preynat que o tinham denunciado, Barbarin foi ontem ao Vaticano para apresentar sua renúncia ao papa.
Embora Francisco não a tenha aceitado, o cardeal acrescentou em sua nota que a decisão pessoal de se retirar passa a valer a partir de hoje e que a gestão da diocese fica nas mãos do vigário geral e moderador, Yves Baumgarten.
O porta-voz interino do Vaticano, Alessandro Gisotti, confirmou em outro comunicado a notícia e destacou que “a Santa Sé está disposta a reiterar sua proximidade às vítimas de abuso, aos fiéis da Arquidiocese de Lyon e de toda a Igreja da França que estão atravessando um momento particularmente doloroso”.
*Com Agência EFE
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