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Líder do PT na Câmara chama de ‘provocação infantil’ a votação surpresa marcada por Hugo Motta

Presidente da Câmara pautou para esta quarta-feira o projeto que derruba o decreto do governo federal sobre o IOF e deu a relatoria ao deputado Coronel Chrisóstomo, do PL

Redação

Lindbergh Farias
CÂMARA INSTALA COMISSÃO IMPOSTO DE RENDA Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), classificou como “erro grave” e “provocação infantil” a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar de surpresa o projeto que derruba o decreto do governo federal sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida foi anunciada por Motta no fim da noite de terça-feira (24), por meio de uma postagem na rede X (antigo Twitter), e gerou reação imediata da base governista. Segundo Lindbergh, a escolha do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), opositor do governo, como relator da proposta também foi provocativa. “Designar o Coronel Chrisóstomo como relator, um bolsonarista histriônico, chega a parecer uma provocação desnecessária”, afirmou.

A principal crítica do petista é quanto ao momento escolhido para a votação. O projeto foi pautado em uma semana esvaziada no Congresso por conta das festas juninas, o que, segundo ele, dificultou a mobilização de parlamentares da base aliada. “É uma temeridade pautar um tema de tamanha importância sem que haja quórum em Brasília”, disse Lindbergh, destacando ainda o impacto fiscal da proposta: o governo deixaria de contar com cerca de R$ 12 bilhões. O decreto do IOF faz parte do esforço do governo para alcançar a meta fiscal de 2025. De acordo com Lindbergh, ele integra um pacote de medidas que visam arrecadar até R$ 50 bilhões. “O governo precisava de R$ 50 bilhões, conseguiu R$ 30 bilhões e contou com o IOF para os R$ 20 bilhões restantes”, explicou.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu à movimentação e convocou uma reunião com líderes governistas na manhã desta quarta-feira (25), no Palácio do Planalto. Em nota nas redes sociais, ela afirmou que a derrubada do decreto poderá comprometer a liberação de emendas parlamentares. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o decreto, afirmando que ele corrige distorções no sistema tributário e combate a evasão fiscal por parte dos mais ricos, contribuindo para o equilíbrio das contas públicas.

Em resposta às críticas, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), saiu em defesa de Hugo Motta e afirmou que o governo já havia sido avisado sobre a intenção de votar o mérito do projeto. “Na última reunião de líderes, o recado do Hugo Motta foi claro”, disse. Para ele, responsabilizar o presidente da Câmara pelo avanço da pauta é um erro de estratégia política.

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Sóstenes também defendeu a escolha de Chrisóstomo como relator: “É legítimo que um parlamentar da oposição seja escolhido para relatar uma proposta que contraria o governo”. Lindbergh, por sua vez, afirmou ver nas articulações uma tentativa de enfraquecer o governo Lula e antecipar o debate eleitoral de 2026. “Nós não vamos aceitar que tentem paralisar o governo do presidente Lula”, concluiu.

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA