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Negócios

Grupo Unhas Cariocas mira R$77 milhões sem depender de novas lojas

Rede usa aplicativo, cashback e experiência na loja para evitar que o pico de fim de ano esconda a queda na frequência

Luciene de Oliveira

Grupo Unhas Cariocas mira R$77 milhões sem depender de novas lojas
Grupo Unhas Cariocas mira R$ 77 milhões sem depender de novas lojas Mauricio Cesar, CEO da Unhas Cariocas

Novembro e dezembro são os meses em que o salão enche quase sozinho. Na Unhas Cariocas, a receita desse período costuma ficar entre 30% e 40% acima da média do restante do ano. O movimento é bem-vindo, mas traz uma armadilha que o CEO do grupo, Mauricio Cesar, descreveu em entrevista à Jovem Pan Business: com a agenda lotada, o gestor deixa de perceber a cliente que deixou de voltar nesse intervalo.

“O nosso trabalho em 2026 é não deixar o gestor relaxar na recorrência só porque esses meses trazem mais clientes”, diz.

A preocupação faz sentido em um setor que cresce apoiado justamente na frequência. O segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar faturou 15,2% mais no segundo trimestre de 2026 do que no mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O resultado ficou bem acima da média do franchising, que somou R$149 bilhões no semestre, com alta nominal de 9,7%. Na leitura do presidente da entidade, Tom Moreira Leite, o consumidor pode até apertar o orçamento, mas preserva os serviços ligados ao bem-estar e às necessidades recorrentes.

Poucos serviços de beleza dependem tanto da volta da cliente quanto a manicure. É aí que o crescimento pode enganar. Uma rede que vê o faturamento subir não sabe, necessariamente, se está conquistando fidelidade ou apenas aproveitando uma fase favorável do mercado.

O Grupo Unhas Cariocas, que reúne outras quatro marcas além da rede de esmalterias, projeta faturamento de R$77 milhões no ano. Segundo Mauricio, a meta não depende de inaugurações e se apoia no desempenho das lojas que já estão abertas. Nove unidades da Unhas Cariocas ultrapassaram R$1 milhão em faturamento em 2026, e a expectativa é que cheguem a R$2 milhões até dezembro. Além dessas, a previsão é que mais 15 lojas da rede alcancem essa meta neste ano.

Para chegar lá, a rede acompanha de perto ticket médio, recorrência e venda de produtos, e promove competições internas entre gestores e equipes para melhorar esses números. Entre uma visita e outra, o contato fica por conta de um aplicativo com cashback e pesquisas de satisfação. Cada atendimento rende um benefício pensado para puxar o agendamento seguinte. Do lado da operação, a ferramenta permite que os gestores acompanhem indicadores de relacionamento e desempenho de cada unidade, o que ajuda a identificar quando a frequência começa a cair antes que o problema apareça no caixa.

O ambiente da loja também entrou na conta. “Não basta mais fazer uma unha bem-feita. O consumidor quer uma experiência”, afirma o executivo. A rede revisa layouts e testa ações para que a cliente permaneça mais tempo no espaço, como a “Sexta das Patroas”, realizada em todas as unidades com bebidas e momentos de convivência.

É uma aposta que corre no sentido oposto ao de outra parte do mercado. Enquanto formatos expressos tentam encurtar a visita para caber na agenda apertada do consumidor, a Unhas Cariocas quer transformar a ida às lojas em programa. As duas estratégias disputam o mesmo cliente, que ora tem pressa, ora quer ficar.

A outra frente é geográfica. O critério da rede para escolher cidades cruza população e capacidade de atingir determinado volume de atendimentos, régua que por muito tempo deixou municípios menores de fora. Uma unidade em uma cidade de cerca de 70 mil habitantes, com faturamento acima de R$60 mil por mês, levou o grupo a rever o parâmetro e a estudar formatos para esse perfil de mercado.

O movimento acompanha o franchising como um todo. Segundo a ABF, as redes já estão presentes em 69% dos municípios brasileiros, e 48% das franquias operam em cidades com menos de 500 mil habitantes. Para o executivo, fluxo de pessoas e localização continuam no topo da lista quando se avalia a viabilidade de uma nova loja. Em shopping centers, a Unhas Cariocas se baseia em estudos de circulação; nas lojas de rua, recorre a ferramentas de mapeamento para medir o potencial de cada região.

Levar a marca para mais longe exige franqueados preparados, e nem todo investidor chega pronto. Mauricio diz que parte dos interessados chega com dinheiro para abrir a operação, mas sem experiência suficiente em gestão nem a mentalidade empresarial que o negócio exige. A franqueadora cobre essa lacuna com treinamento, educação e mentoria. “O nosso compromisso é desenvolver esse franqueado”, afirma. Em um modelo em que a meta de receita depende das lojas existentes, e não de novas aberturas, a qualidade de quem está à frente de cada unidade pesa ainda mais no resultado.

A venda de produtos, um dos indicadores monitorados de perto, conta com o reforço do portfólio do grupo. Além da Unhas Cariocas, o grupo é dono da Escova Express, da Keragel, da Alona Laboratórios e da Supreme, o que permite desenvolver itens tanto para o salão quanto para o uso doméstico. “Praticamente todo mês a gente traz uma inovação, uma novidade, algo que facilite a vida do franqueado”, diz o CEO.

O teste mais imediato chega nas próximas semanas. Se a estratégia funcionar, o pico de fim de ano deixa de ser apenas receita extra e se converte em clientela para 2027.

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