Aliados veem negociação e relação com bolsonarismo como desafios de Tarcísio até 2030
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliam que ele precisará promover mudanças ao longo dos próximos meses e anos para se consolidar como líder da direita e principal candidato do grupo ao Palácio do Planalto em 2030.
Embora considerem que o comando do Executivo paulista e o espaço conquistado em 2025, quando quase foi o escolhido, o tornem a opção “natural” para a próxima eleição, interlocutores defendem cautela e afirmam que o governador precisará ampliar sua atuação política.
Nos bastidores, Tarcísio é conhecido por evitar negociações de cargos com partidos e autoridades e fazer escolhas “do coração”, postura que já provocou reclamações durante o primeiro mandato. Para parte dos aliados, esse comportamento terá de mudar para que ele consiga construir uma base política mais ampla. “Ele vai precisar negociar para conseguir se viabilizar de maneira forte”, afirma um interlocutor.
A avaliação, no entanto, não é unânime. Pessoas que acompanharam o governador nos últimos anos argumentam que a escolha de Jair Bolsonaro pelo filho, Flávio Bolsonaro (PL), para disputar a Presidência em 2026 foi o principal obstáculo ao avanço de Tarcísio no cenário nacional. “Não precisa. Se não fosse Jair escolhendo o filho e não abrindo mão… Todo mundo já estava com Tarcísio”, afirma outro aliado.
Outra possibilidade discutida nos bastidores é a troca de partido. Atualmente no Republicanos, sigla considerada pequena por parte dos interlocutores para uma disputa presidencial, há quem diga que Tarcísio poderia migrar para o MDB, partido de seu vice, Felício Ramuth, e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, aliado do governador. O governador já tem boa interlocução com o presidente, Baleia Rossi, e conseguiu que o MDB marcasse posição pela primeira vez por um candidato.
O PSD também é citado como uma alternativa, mas o afastamento entre Tarcísio e Gilberto Kassab, dirigente da sigla, faz com que interlocutores considerem o movimento menos provável. O PL, por sua vez, é visto com restrições por pessoas próximas ao governador, que teria ressalvas pessoais à legenda.
Apesar das divergências sobre negociação política e partido, aliados concordam que o principal desafio de Tarcísio será administrar a relação com o bolsonarismo. Como mostrou a coluna, o governador precisará calcular os movimentos para não ser visto como um “traidor” do grupo político do ex-presidente.
Por isso, interlocutores avaliam que ainda não é o momento de adotar medidas bruscas. Os posicionamentos recentes de Tarcísio sobre o resultado da eleição presidencial e sobre a carta em que Flávio se declarou “presidente eleito” ou “líder do Brasil” não surpreenderam pessoas próximas ao governador.
Nos bastidores, Tarcísio é descrito como moderado e alinhado aos limites constitucionais. A aproximação com Flávio durante o segundo turno também é apontada por aliados como calculada, sem adesão a grandes polêmicas.
Como mostrou a coluna, o governador chegou a manter pronto um plano para disputar a Presidência em 2026, mas acabou fora da corrida após Jair Bolsonaro escolher o filho. Foi à Jovem Pan que Tarcísio admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de concorrer ao Planalto em 2030.
O discurso institucional e a participação em debates de alcance nacional, por sua vez, não são recentes. O governador já adotava essa postura antes mesmo da definição de Flávio como candidato presidencial. Segundo pessoas próximas, a estratégia deve continuar: Tarcísio pretende manter o foco na agenda paulista, mas participar ativamente de discussões nacionais, especialmente nas redes sociais.
“Ao longo dos próximos anos, as posições do governador traçarão o caminho natural”, afirmou uma fonte do Palácio dos Bandeirantes. Assim, ele deve focar especialmente em temas econômicos e estruturais para o país.
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