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Eleição nos Estados Unidos define futuro de Trump nesta terça-feira

Votação de meio de mandato elege Câmara e 1/3 do Senado

Agência Brasil

Capitólio dos estados unidos
Capitólio dos estados unidos EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS

Cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para eleger todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 cadeiras do Senado. Os americanos também vão escolher governadores em 36 dos 50 estados do país.

O resultado pode definir os rumos dos dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca. Isso porque os democratas podem conquistar a maioria no Congresso, o que teria repercussões políticas também para o Brasil.

A oposição tem questionado a Casa Branca sobre supostas interferências de Trump no Brasil, como o financiamento dos Estados Unidos para campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente, as duas Casas legislativas contam com uma apertada maioria de republicanos, o que concede maior liberdade para Trump implementar suas políticas.

Pesquisas de opinião têm indicado uma vitória dos democratas devido, entre outros motivos, ao aumento do custo de vida da população. A guerra iniciada por Trump contra o Irã é apontada como uma das causas da inflação, já que elevou o preço dos combustíveis após as restrições à navegação no Estreito de Ormuz.

Ao longo dos últimos meses, a desaprovação do presidente dos Estados Unidos vem crescendo e alcançou 61%, contra 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times.

Nesse cenário desfavorável, Trump prometeu pagar US$ 5 mil para cada adulto do país caso os republicanos vençam as eleições da Câmara e do Senado. O presidente também tem viajado pelo país nos últimos dias em campanha para seus aliados.

Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos Estados Unidos, avalia que o resultado da eleição vai definir o controle que o Legislativo terá sobre o presidente Trump.

“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.

Abraão acrescentou que o controle do Senado dá poder para confirmar ou rejeitar a nomeação de autoridades e juízes.

“Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou o diretor da Brazil Office Alliance.

Trump também vem lançando dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral americano. Em 2020, ao perder para Joe Biden, o republicano acusou a eleição de ter sido fraudada, mas não apresentou provas.

Na última semana, quando questionado por jornalistas, Trump disse que respeitaria o resultado “se forem eleições honestas”.

Política externa

Há uma expectativa de que uma vitória democrata provoque mudanças na política externa dos Estados Unidos, especialmente em relação à guerra no Irã.

O especialista Paulo Abraão pondera que a Presidência americana tem ampla margem de ação na política externa, mesmo sem maioria no Congresso.

“Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, destacou.

Repercussão para o Brasil

O enfraquecimento político de Donald Trump, caso os republicanos percam a maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso, pode repercutir também nas relações dos Estados Unidos com o Brasil, marcadas pelo tarifaço e por atritos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Abraão avalia que os democratas podem ampliar as investigações sobre a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos, expondo suas conexões com o governo Trump.

“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações sobre supostas interferências de Trump no Brasil. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos”, argumentou.

O especialista aponta que uma investigação parlamentar poderia apurar a denúncia contra a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição presidencial no Brasil.

A redução do alcance nas redes sociais de contas ligadas ao presidente Lula foi justificada pela empresa como resultado de “problemas técnicos”.

“Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais”, afirmou Abraão, que também é professor de Direito.

Nas últimas semanas, congressistas democratas têm questionado a Casa Branca, por meio de cartas, sobre diferentes episódios envolvendo o Brasil, desde a atuação da Meta nas eleições brasileiras até a decisão de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Na última quinta-feira (30), os democratas cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, apesar de a Justiça brasileira ter proibido a saída do parlamentar.

Flávio responde a processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

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